Ancelmo Gois: 'O luto é de todos os leitores'

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Eu conheci Artur Xexéo primeiro no movimento de cineclubismo, antes do jornalismo. Nos anos 70, ele era do cineclube do Leme e eu, do Macunaíma. Na Faculdade Hélio Alonso, quase fomos colegas do turma. Ele foi o mal-humorado mais engraçado e espirituoso que conheci na minha vida.

Nos anos 1980, na sucursal da revista Veja, sob o comando de Zuenir Ventura, de quem ele se dizia um afilhado no jornalismo, eu cobria Economia e Xexéo, TV. Certa vez ele me pediu um conselho se deveria comprar dólares, pois estava programando uma viagem no final do ano. Eu disse que não comprasse. Ele resolveu não seguir meu conselho, veio uma maxivalorização de 30 % e Xexéo terminou fazendo um bom negócio. A partir daí, ele dizia que queria meus conselhos: para fazer o oposto.

No JB, sob o comando de Marcos de Sá Correa, no final dos anos 1980, ele era uma espécie de super-editor para assuntos de arte e espetáculo, ao lado de Flávio Pinheiro e, mais uma vez, de Zuenir, seu mestre maior. No Globo, ele mostrou, de novo, ser um cara de sete instrumentos, no comando do Segundo Caderno. E mais recentemente, como cronista, surpreendia os leitores. Não raro, começava sua coluna falando de um acontecimento banal e corriqueiro, que no decorrer no texto crescia e terminava em grande estilo.

Nos últimos tempos, ele usava palavras lapidadas em ouro para denunciar a pandemia de estupidez e ignorância que chegou ao centro do poder, em Brasília. Neste país, em que os toscos estão falantes, a lucidez e a sagacidade de Xexéo farão falta. Paulo, o luto não é só seu. É dos amigos. É dos leitores.

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