O andar de baixo dá o caminho das rachadinhas e outros delitos

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Motorcycle courier of the VTCLog, logistics company, Ivanildo Gonalves da Silva attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic at the Federal Senate in Brasilia, Brazil, September 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
O motoboy Ivanildo Gonalves da Silva durante depoimento à CPI. Foto: Adriano Machado/Reuters

Quem baixou a guarda e desistiu de acompanhar os capítulos finais da novela CPI da Pandemia perdeu, na última semana, algumas das melhores cenas da trama.

Uma delas foi protagonizada pelo motoboy Ivanildo Gonçalves, da VTCLog. Em depoimento na quarta-feira 1º, ele contou que chegou a sacar R$ 400 mil na boca do caixa a pedido de um chefão da empresa. A VTCLog virou alvo da comissão após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentação atípica, no valor de quase R$ 120 milhões, nos últimos dois anos. Desse total, cerca de R$ 5 milhões passaram pelas mãos do motoboy.

Ivanildo virou peça-chave em uma trama de exibição nacional porque ao menos quatro dos pagamentos intermediados por ele beneficiaram o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias.

Indicado do centrão para o ministério, Dias chegou a ser preso em seu depoimento à CPI por mentir sobre um encontro com o PM que acusa integrantes do ministério de cobrarem propina em troca de uma compra milionária de vacinas.

Em uma dessas andanças, Ivanildo entregou um pen-drive no andar em que o ex-diretor atuava. Durante sua fala, só não disse para quem eram os boletos. Parece estar esquecido.

Na dúvida, a CPI aprovou requerimento para a quebra de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático de Ivanildo.

No país de Eribertos e Francenildos, é bom ouvir Ivanildo. Em lugar nenhum do mundo um motoboy seria responsável por sacar valores tão altos antes de transitar por ministérios. A obsessão da turma por dinheiro vivo, aliás, é um mistério que a comissão parlamentar ainda precisa esclarecer. Não deve ser tão difícil assim.

Na mesma semana, caiu como uma bomba a entrevista na qual Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, ex-funcionário da família presidencial, acusou a ex-mulher de Bolsonaro de comandar o esquema das rachadinhas nos gabinetes dos filhos e de embolsar 80% de seu salário. E o vereador do Rio Carlos Bolsonaro teve os sigilos fiscal e bancário quebrados pela Justiça em investigação sobre funcionários fantasmas.

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Enquanto os funcionários do andar de baixo começam a dizer o que sabem, um suposto lobista da Precisa Medicamentos, Marconny Albernaz de Faria, simplesmente não compareceu à sessão na qual deveria dar m depoimento à CPI. Ele teve a condução coercitiva e a apreensão de seu passaporte aprovadas pelos integrantes da comissão. Há quem desconfie que ele já tenha deixado o país.

Seu advogado é William de Araújo Falcomer, que, segundo a Folha de S.Paulo, ajudou Jair Renan Bolsonaro, filho 04 do presidente, a abrir uma empresa de eventos.

A Precisa é alvo de um processo administrativo aberto pela Corregedoria Geral da União por suposto comportamento inidôneo e fraude.

Em uma semana de baixas para governistas, um dos integrantes da tropa de choque bolsonarista na comissão, senador Marcos Rogério (DEM-RO), passou por grande constrangimento fora dos holofotes das sessões. 

Isso porque seu assessor parlamentar foi preso durante a Operação Alcance deflagrada pela Polícia Federal em quatro estados para investigar uma organização criminosa que envia drogas da região Norte para Fortaleza (CE). O funcionário era lotado no gabinete de Marcos Rogério em Porto Velho, capital de Rondônia.

Como ele virou alvo da investigação enquanto atuava para o senador é outro mistério a ser revelado. 

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