Anderson Torres, alvo de mandado de prisão de Moraes, diz ter tido WhatsApp clonado

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-ministro da Justiça Anderson Torres afirmou nesta terça-feira (10) que foi alvo de golpistas e teve o WhatsApp clonado.

Alvo de mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), Torres está nos Estados Unidos e foi exonerado do cargo de secretário de Segurança do Distrito Federal no domingo (8) após os ataques aos prédios do Congresso, Planalto e STF.

Torres falou sobre o problema com o aplicativo de mensagens em uma postagem no Instagram. "Olá, clonaram meu WhatsApp, não aceitem nenhuma mensagem ou ligação", postou.

Nesta terça, o interventor na Segurança Pública do Distrito Federal, Ricardo Cappelli afirmou que a manifestação golpista promovida por militantes bolsonaristas foi possível por causa da "operação de sabotagem" nas forças de segurança locais, naquele momento comandadas Torres.

A afirmação também foi feita pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino. Segundo ele, o efetivo da PM na Esplanada no dia dos ataques era menor do que o necessário para conter os golpistas.

"Havia um efetivo planejado e um efetivo real, em um certo momento esse efetivo era 3 ou 4 vezes menor que o planejado. Por que aconteceu isso? Realmente a cadeia de comando da polícia do DF que vai responder", disse Dino.

À Folha de S.Paulo Torres se defendeu no domingo (8) e afirmou que não foi leniente. "Não houve leniência, é a primeira vez que tiro férias em muito tempo. O planejamento foi feito", disse. O ex-ministro também afirmou que há mentiras sendo contadas.

"Não vim para os EUA para encontrar Bolsonaro. Não me encontrei com ele em nenhum momento. Estou de férias com a minha família. Não houve nenhuma trama para que isso [os atos golpistas] ocorresse", declarou.

Torres, que é policial federal, também já estava na mira das investigações relatadas por Alexandre de Moraes.

Ele foi ouvido e apontado como um dos envolvidos na organização da live de 29 de julho de 2021 quando o então presidente Jair Bolsonaro levantou suspeita sobre a segurança das urnas sem apresentar provas.