Anderson Torres fica em silêncio em depoimento à PF

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres permaneceu calado durante o depoimento à Polícia Federal marcado para esta quarta-feira de manhã no 4º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, onde está preso desde sábado. Ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Torres é suspeito de ter facilitado os ataques golpistas às sedes dos Poderes no dia 8 de janeiro. Os investigadores pretendiam ouvi-lo ontem, mas não conseguiram comunicar a defesa, que nega as acusações.

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Torres foi preso ao desembarcar no Brasil no sábado, após um período de férias nos Estados Unidos. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a um pedido da Polícia Federal. A suspeita dos investigadores é que Torres, na função de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, tenha sido um dos responsáveis pelas falhas no esquema de segurança que resultou na invasão dos prédios dos Três Poderes no domingo. Ele nega qualquer omissão ou conivência com os atos terroristas.

Abalado após a prisão, o ex-ministro da Justiça recebeu ontem a visita de uma psicóloga no 4º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília. De acordo com pessoas próximas, ele não tem conseguido superar o abatimento desde que foi informado sobre a ordem de prisão do qual foi alvo, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Uma pessoa que falou com Anderson Torres logo depois da sua decisão que decretou a sua prisão afirma que o ex-ministro da Justiça estava visivelmente abalado. Segundo esse interlocutor, Torres fazia questionamentos sucessivos, como "o que eu fiz para ser preso?" e, depois, "o que eu deixei de fazer?".

Na segunda-feira, promotores do Ministério Público do Distrito Federal realizaram uma inspeção na cela onde está o ex-ministro. A avaliação mostrou que “as instalações são compatíveis com uma sala de estado-maior, e que os presos não têm nenhum tratamento preferencial".

Policial federal de carreira, Anderson Torres foi ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro e se alinhou a diversas pautas do seu chefe, como as acusações falsas contra as urnas eletrônicas. Pela participação em uma live na qual Bolsonaro disseminou essas notícias falsas, Torres se tornou alvo de investigação aberta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).