'Aspirantes a quarta via', Janones e Marçal fazem parceria nas redes

Se a chamada terceira via tenta romper a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), há um outro grupo que corre por fora até desta ala. Espécie de “quarta via”, os pré-candidatos do à Presidência André Janones (Avante) e Pablo Marçal (PROS) abriram um canal de diálogo para tentarem se tornar mais conhecidos do grande público e, segundo eles, “discutir um projeto de Brasil”.

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Na última semana, Marçal foi ao gabinete de Janones na Câmara dos Deputados, onde gravaram um vídeo juntos:

— A gente não precisa ter ciúme, adversário. A gente precisa se unir pelo país. É hora de o Brasil se politizar e lembrar de uma coisa: a gente está disposto a descer o poço e vocês precisam segurar a corda — afirmou Marçal, pedindo para a sua audiência seguir o deputado federal.

Janones correspondeu:

— Essa eleição é da diversidade, diálogo e democracia. Precisamos resgatar esse espírito democrático. E acho que a gente está dando um belo passo nessa direção (...). Dialogar rumo a um objetivo comum, que é de todos os brasileiros. Que não é ter de escolher entre duas opções.

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Sem uma estrutura partidária robusta, os dois pré-candidatos têm algo que falta aos postulantes da terceira via — influência digital. Juntos, eles chegam a quase 4,2 milhões de seguidores (cerca de 2 milhões cada um) no Instagram. Muito mais que Ciro Gomes (PDT), que tem 1,2 milhão; Simone Tebet (MDB), 144 mil; e Luciano Bivar (União), 14 mil. No YouTube, eles superam o ex-presidente Lula, que soma 481 mil inscritos — Janones e Marçal têm cerca de 1,4 milhão cada um. O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, ganha de todos os outros pré-candidatos no quesito.

Anonimato nas urnas

Mas o número elevado de likes e seguidores não significa popularidade nas urnas. No último Datafolha, Janones aparece com 2% das intenções de voto, enquanto Marçal figura com 1%. O mesmo levantamento mostra que o primeiro é conhecido por 31% dos eleitores, enquanto o segundo, por apenas 18%.

É justamente essa barreira do anonimato que os dois querem romper — Marçal já propôs a Janones promoverem lives e debates juntos, ainda sem data marcada. Segundo ele, a ideia é criar “um bombardeio contra esses dois (Lula e Bolsonaro)”.

— Eu vou ajudar a promover todos os pré-candidatos. O Brasil não está condenado a votar no Lula ou no Bolsonaro. Se a gente não se juntar, não vai conseguir de forma nenhuma subir com outro nome — afirmou o influencer de 35 anos, que fez fortuna oferecendo cursos de coach espiritual e empreendedorismo digital na internet.

Em janeiro Marçal virou notícia ao levar 60 pessoas para subir o Pico dos Marins, no interior de São Paulo, sob péssimas condições climáticas. A experiência era parte de um curso de autoajuda. O grupo se perdeu a 2.400 metros de altitude e precisou ser resgatado pela Polícia Civil.

Janones, que viralizou como porta-voz informal do movimento dos caminhoneiros, afirmou que o encontro com Marçal foi apenas uma “visita de cortesia” e que ele não tem nenhuma agenda em comum com o pré-candidato do PROS “por ora”. Os dois descartaram uma eventual composição de chapa única.

Antes de discutir qualquer tipo de união, os dois precisam primeiro se viabilizar em seus partidos. Marçal tem a ambiciosa meta de atingir dois dígitos de intenções de voto até julho — senão corre o risco de ter a candidatura rifada pela legenda.

Já os dirigentes do Avante foram procurados diversas vezes pelo PT para apoiar Lula e compor aliança — Janones foi um deles, mas recusou as propostas. Na eleição de 2018, o PROS integrava a coligação de Fernando Haddad (PT); e o Avante, de Ciro Gomes (PDT).

Assim a união dos dois, antes de ajudar a “pensar o Brasil”, pode ser fundamental para consolidar suas campanhas e terem os nomes confirmados pelas siglas nas urnas.

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