André Marques diz que 'The voice kids' mudou relação com crianças

Rafael Nascimento
André estreia nova temporada do "The voice kids" neste domingo

O papo com André Marques flui de maneira fácil e tranquila. É como se, ao falar da própria carreira — que já dura cerca de 25 anos —, ele estivesse apenas trocando amenidades com um amigo que não via há tempos. A trajetória o deixa orgulhoso: “conquistou mais do que imaginava” em seus 40 anos de vida. Isso, claro, não impede que sonhos sejam renovados e que projetos antigos sejam resgatados.

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Por ora, no entanto, o foco é outro, já que estreia hoje a quinta temporada do “The voice kids” — a quarta da qual ele participa. Apesar de ser veterano na atração, o apresentador não nega que ainda bate aquele “friozinho na barriga” no pontapé inicial de cada edição. Nada que não tire de letra. Afinal, como diz o próprio, um certo nervosismo faz parte e dá o “tesão da parada”.

"Quando recebi o convite do Boninho, eu fiquei muito emocionado. É um programa que sempre amei. Mas nunca é igual. Por mais que tenha um esqueleto e uma espinha dorsal de como as coisas funcionam, as histórias mudam. As crianças mudam. São sonhos diferentes. Bate aquela adrenalina de acontecer alguma coisa, aprender uma coisa nova. Isso envolve emoções diversas. Fico arrepiado ao saber das jornadas das crianças para chegar ao programa. É o maior presente que ganhei na minha carreira” afirma ele, que iniciou como “Mocotó”, em “Malhação”, na década de 1990, e tem no currículo passagens por programas como o “Vídeo show”, o “SuperStar” e o “É de casa”.

A convivência com os pequenos competidores ao longo das últimas temporadas, na verdade, tem muito a ver com a sensação de gratidão destacada por Marques. Fez com que ele estreitasse ainda mais o seu laço com as crianças, tanto no âmbito pessoal, com os filhos de amigos e afilhados, como no campo profissional, com os participantes mirins do “The voice”. Para estes, aliás, ele é o Tio André, tratamento que ganhou graças ao contato construído durante e depois do programa e também pelas redes sociais.

"A gente vai ficando mais próximo. Aprende uma cacetada de palavras que não faz parte do nosso vocabulário. Para esta edição do “The voice”, entrevistei uma garotinha de 9 anos e disse para ela: “Você é uma picorrucha muito linda”. Ela me respondeu: “Picorrucha? O que é isso? Eu, hein!”. Expliquei que queria dizer lindinha, gracinha e fofinha” — lembra o apresentador, aos risos: — Muitas das crianças que saem do programa são minhas amigas no Instagram: o Caio da primeira edição que eu fiz é meu grande ‘chapa’; Mariah que é uma fofinha; Valentina, que canta rock pra caramba... Vira uma relação de “Tio André” mesmo. E isso é sensacional", emociona-se o apresentador.

O clima leve e amistoso também impera quando o assunto são os companheiros de trabalho. Tanto é que ele mesmo lança o desafio ao repórter: “Se você viesse um dia aqui mascarado e só observasse tudo, perceberia o carinho dessa galera”. Carlinhos Brown e Claudia Leitte ele conhece de “outros carnavais”. A relação com as sertanejas Simone e Simaria é mais recente. Marques conheceu as “coleguinhas” no “É de casa” e foi o suficiente para perceber que as cantoras são “duas figuras”.

A relação próxima com a molecada não fez a paternidade de André Marques aflorar, garante ele, que trata do assunto com bastante sobriedade. Mas nem sempre foi assim. O apresentador já teve uma vontade enorme de ter um filho. Hoje, não descarta a possibilidade de ser pai. Se for o caso, que aconteça naturalmente, sem pressões externas.

"Tive várias fases na minha vida. Aos 15, queria ser pai de qualquer jeito. Com 20, mudei de ideia. Pensei: ainda bem que eu não tive, não estou cuidando nem de mim, quanto mais de uma criança", lembra. "Atualmente, acho que não tem que ser programado, sabe? Você precisa ser pai por você e pela sua criança. Não para seguir o caminho da obrigatoriedade da vida de dar continuidade a sua família. Acredito que a hora em que eu tiver que ter, seja ano que vem, seja daqui a dez anos, eu terei”, explica.

A ponderação sobre o assunto pode ser creditada à maturidade do alto de seus 40 anos, completados em setembro do ano passado. Ele se considera um cara pé no chão.

"Quem me conhece sabe que eu não faço muito tipinho. Não vou à festa tal só para dizer que estava lá. Sou do jeito que eu aparento ser mesmo. Uma pessoa comum", avalia.

O lado “comum” do apresentador aparece, por exemplo, em suas postagens no Instagram, onde há imagens variadas de sua rotina, outras ao lado de colegas famosos, além de momentos de sua carreira. Ao viajar pelo feed, no entanto, seu carinho por seus cachorros chama atenção. Ele tem seis sob os seus cuidados.

"Todos moram comigo. Dormem na cama e faço até comida para eles. São meu amor maior", derrete-se.

Para o futuro, ele ainda almeja alçar novos voos, como um programa de auditório ou de culinária:

“Quando vejo as coisas que conquistei, eu fico bem emocionado. Os sonhos, obviamente, vão mudando ou você vai resgatando os antigos. Mas tenho vontade de fazer um programa de auditório ou de culinária. Acho que, se Papai do Céu quiser, uma hora eu vou fazer. Mas se olhar para trás e vir que não fiz algum dos que queria, vou acreditar que não era pra ser. Não me arrependo de nada.”