Andrade deixa cargo de CEO da Petrobras; Rittershaussen ocupará posto interinamente

Homem diante da sede da Petrobras no Rio

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras informou que seu Conselho de Administração aprovou o encerramento antecipado do mandato de Caio Paes de Andrade como presidente da companhia, com efeitos a partir desta quarta-feira, e que o colegiado nomeou o diretor de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen, para ocupar o cargo interinamente.

A Petrobras disse ainda que Andrade renunciou ao cargo de membro do Conselho de Administração da companhia.

Na véspera, fontes disseram à Reuters que Andrade havia renunciado ao cargo de presidente da Petrobras, em movimento que pode abrir caminho para o indicado do novo governo, o senador Jean Paul Prates, para a função de CEO da empresa.

Mas antes Prates terá que passar por testes de integridade e elegibilidade dentro da Petrobras, para garantir que ele cumpre pré-requisitos para a função, o que poderá levar cerca de nove dias depois que seu nome for oficialmente indicado pelo governo ao conselho da empresa, segundo duas fontes a par do assunto.

Atualmente, o nome de Prates passa por trâmites internos também de avaliação na Casa Civil, mas sua indicação oficial à Petrobras é esperada para esta quarta ou quinta-feira, segundo uma das fontes.

Em nota a clientes, o Credit Suisse afirmou que a renúncia de Andrade já era esperada e que o movimento abre caminho para a nomeação de Prates. "Mas a checagem de antecedentes ainda levará algumas semanas", pontuou o banco.

A expectativa do governo é que a renúncia de Andrade possa permitir que Prates venha a ocupar a direção da empresa, antes mesmo de a assembleia de acionistas da Petrobras confirmar o seu nome, disse uma das fontes à Reuters.

O caminho seria o mesmo percorrido por Andrade, que, com a renúncia de seu antecessor, José Mauro Coelho, dos cargos de CEO e conselheiro, foi eleito como membro substituto do colegiado e depois escolhido entre seus pares como presidente da empresa.

Com mais de 25 anos de atuação no setor energético, Prates tem defendido que a Petrobras eleve seus investimentos em renováveis, em linha com outras petroleiras globais, e na área de refino, em busca de segurança energética.

O senador também tem questionado a política de preços da estatal, que está atualmente alinhada às práticas do mercado internacional.

A participação de Prates em empresas de consultoria do setor de óleo e gás será analisada pelos comitês que avaliam currículos de futuros executivos da Petrobras, mas essa atuação pretérita não é vista como um empecilho para que o político assuma o comando da petroleira, afirmou à Reuters a assessoria de imprensa do senador.

A participação de Prates no setor privado se soma a discussões em curso sobre se a escolha de seu nome poderia ser reprovada pela petroleira devido a possíveis exigências contidas atualmente na Lei das Estatais.

O senador disse, logo após ser indicado formalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está "totalmente tranquilo em relação à Lei das Estatais".

INTERINO

Rittershaussen, escolhido para ocupar o posto de CEO interinamente, é graduado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e em engenharia de petróleo pela Petrobras, com MBA em Gestão de Negócios pela Coppead (UFRJ), entre outros.

Ele atua na Petrobras há 35 anos, ocupando diversas funções gerenciais.

Foi gerente executivo de Sistemas de Superfície e em de novembro de 2018 tornou-se gerente executivo de Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia, área que responde pela construção dos novos ativos da companhia.

(Por Roberto Samora e Marta Nogueira)