Andre Marques diz qual será seu maior desafio em ‘No limite’: ‘Ficar longe das minhas cinco meninas (cachorras)’

Naiara Andrade
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Gorda, Tora, Banha, Cuca e Pururuca vão continuar tomando banho de sol no quintal, mergulhando na piscina de ladrilhos vermelhos e se esparramando na cama de Andre Marques, no Rio, enquanto o dono do pedaço e das cadelas estiver numa região erma do Ceará, passando por perrengues, a trabalho. O EXTRA acompanhou a despedida do apresentador do conforto de seu lar e das suas filhas de estimação na última semana, antes de viajar ao Nordeste, onde começa a gravar a quinta edição do reality show de sobrevivência “No limite”.

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— Ficar mais de 30 dias longe de casa e das minhas cachorras vai ser o mais difícil. Essas cinco meninas são muito apegadas a mim, e eu a elas, são a minha paixão. Vou morrer de saudade, com toda certeza. Mas vai ficar tudo bem, sei que elas estarão sendo muito bem cuidadas e recebendo muito amor — diz Andre, de 41 anos, que deixou os animais sob o zelo da atriz Sofia Starling, de 25, com quem namora há dois e passou a morar junto durante a pandemia: — Ela também é apaixonada por eles, vai tirar de letra.

O programa, que não era exibido pela Globo há 12 anos, ganha agora uma temporada com novo comandante (as quatro primeiras foram lideradas pelo jornalista Zeca Camargo, que se desligou da emissora em junho do ano passado) e participantes não mais anônimos: são todos ex-BBBs. A estreia está marcada para o próximo dia 11, exatamente uma semana após o fim do “Big Brother Brasil 21”.

— Será numa terça-feira, dia mais quente do “BBB”, quando aconteciam os paredões. É uma responsabilidade! Existe um público já apaixonado por realities, que provavelmente conhece muito bem esses jogadores do “No limite”. Vai ser muito massa! — acredita.

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Andre confessa não ter sido telespectador assíduo de todas as 21 edições do “Big Brother”. A deste ano, especificamente, ele acompanhou melhor, por compromisso profissional:

— Foi um pedido do (diretor) Boninho, para eu ficar de stand-by caso acontecesse algum imprevisto com o Tiago (Leifert), que é meu parceiro há muitos anos. Ele faz o “BBB” muito, muito bem. Vive aquilo ali intensamente, sabe tudo o que acontece, todos os detalhes e fofocas. É nítida essa entrega dele no ar. Eu tinha a obrigação de passar a prestar mais atenção, me inteirar sobre o programa.

De qualquer modo, ele afirma conhecer bem os 16 ex-BBBs, anunciados há uma semana ao público.

— Acredito que, ao longo da minha carreira, eu já tenha entrevistado cerca de metade deles, seja no “Vídeo show” ou no “É de casa”. Outros, eu nunca encontrei pessoalmente, mas conheço pela TV. Achei bem bacana ver vários estilos de pessoas diferentes — comenta o apresentador, acreditando que o elenco tem tudo para empolgar: — Se no “BBB”, com estrutura confortável, comida e cama, a convivência não é fácil, no “No Limite”, as tretas prometem! E o fato de ter participantes que já conviveram anteriormente (seis deles são do “BBB 18”) pode tanto ajudar quanto atrapalhar. É uma faca de dois gumes.

Inspirado no programa norte-americano “Survivor”, o “No limite” exige que seus concorrentes lidem com a escassez de recursos para sobreviver em um ambiente inóspito. Os 16 jogadores serão divididos em duas tribos, Calango e Carcará, e enfrentarão situações de resistência física e psicológica, raciocínio e agilidade, tendo que vencer provas e as diferenças entre si na busca pelo prêmio de R$ 500 mil. O público acompanhará toda a disputa em 11 episódios, mas não poderá interferir em quem fica ou sai do grupo que não conseguir a imunidade, a cada semana: os próprios concorrentes votarão entre si para eliminar alguém.

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— Dei uma olhada nas provas, e tem algumas que são assustadoras. Eu não aguentaria nem dez minutos — entrega Andre, que diz não estar com a preparação física tão em dia assim, após se livrar de quase 70 quilos de sobrepeso em decorrência da cirurgia bariátrica realizada em 2013: — Fui dos 163kg para os 92kg. Mas obesidade não tem cura, é uma vigilância eterna. No início da pandemia, ganhei uns três quilinhos por comer mais, na tentativa de aplacar a ansiedade, e liguei o alerta. De atividade física, só tenho caminhado e jogado umas partidas de tênis no condomínio onde moro.

O estômago de Andre, que diminuiu significativamente de tamanho após a operação, só conhece limites para quantidade. Quando o assunto é a qualidade de comida, ele topa tudo, garante. Até mesmo as exageradamente exóticas, servidas como banquete nas primeiras edições do “No limite”. A prova virou sensação entre os telespectadores, que se deliciavam com as reações de nojo dos participantes a iguarias como fígado cru, minhocas vivas, larvas, testículo de búfalo, cérebro de boi, ovo galado (fecundado) e os famosos olhos de cabra.

— Eu como qualquer parada, não tenho frescura. Até um tempo atrás, eu só não topava jiló. Mas um dia, no “É de casa”, fizeram um fritinho e eu aceitei bem, acabei gostando — garante o também ator, que ficou nacionalmente conhecido como Mocotó, personagem que interpretou em duas temporadas de “Malhação” nos anos 1990, e prato recorrente na xêpa do “BBB”: — É uma delícia! Cozinho e como muito!

De tão apaixonado por carnes, Andre tornou-se empresário do ramo, abrindo duas boutiques do produto, uma espécie de “açougue gourmet”. Também afeito a viagens de aventura, ele costuma preparar churrascos de forma rústica, em meio à natureza, construindo brasas de maneira improvisada. Assim, coleciona alguns perrengues, semelhantes aos que os isolados no recanto cearense poderão enfrentar nos próximos dias.

— Eu e meu sócio viajamos para a Serra da Canastra (MG), em março, e tínhamos que cozinhar no meio do nada. Levamos toda a estrutura, mas esquecemos o isqueiro. Para voltar à pousada e pegar, seria mais de uma hora de estrada braba mais trilha. Sabia que, com pedra e graveto secos, dava para fazer fogo, gerando faísca na fricção. Conseguimos, mas que dor nos braços! Fizemos revezamento, foi bem difícil mesmo! — lembra.

Ao publicar em seu Instagram uma foto da mesma viagem, em que preparava carnes em meio a um riacho, o comunicador recebeu duras críticas, sendo acusado de cometer crime ambiental.

— Antes de responder aos comentários, fui me informar com biólogos e com o pessoal do Parque da Serra da Canastra sobre o que estava certo e errado — comenta Andre, que chegou a escrever em sua rede social que dois guias o acompanharam e o ajudaram a tomar os cuidados necessários, mas acabou deletando o post: — Nunca me envolvi em polêmica pesada. Tenho muito trabalho para ficar me estressando com isso. Apenas não gosto de fazer charminho para me acharem legal. Quando eu era mais novo, ficava triste quando descobria que não gostavam de mim, mas entendi que ninguém é unanimidade. E as pessoas têm o direito de falarem o que quiserem, a internet é aberta.

Foi nesse mesmo paraíso natural, em companhia também da namorada, que Andre recebeu um telefonema resolutivo. Do outro lado da linha, o Big Boss anunciava, num tom de bronca, que a Globo não o queria mais à frente do “The voice kids” (que agora será apresentado por Marcio Garcia). Tenso, o niteroiense pergunta: “E o que você me aconselha que eu faça?”. “Você vai fazer o ‘No limite’”, responde Boninho, arrancando lágrimas e risadas nervosas do pupilo. O diretor publicou em seu Instagram o vídeo com a trollagem.

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— Estou completando 27 anos como funcionário da Globo, e conheço Boninho nesse tempo todo. Ele foi meu diretor lá atrás, em “Malhação”, e pega no meu pé desde então. Acho que a gente só implica com quem gosta, né? Na vida, a gente se zoa muito, um ao outro. Ele me ensina muita coisa, não só como comunicador, mas como pessoa mesmo. Enquanto comandante e comandado, nossa amizade foi crescendo. Boninho tem essa fama de malvadão, mas é um cara que ajuda todo mundo, e me deu mais essa grande oportunidade. Acho que ele acredita que eu vou fazer bem feito, senão não teria me chamado. Agora, tenho que demonstrar que tive merecimento, com bons resultados — analisa.

Conhecido por seu jeito boa-praça e emotivo com o microfone à mão, Andre entende que precisará adotar uma postura mais séria à frente do “No limite”, apesar de frisar que nunca veste um personagem em seu trabalho como apresentador.

— Quem me conhece ou me assiste há um tempo percebe que eu não faço tipo. Eu sou eu, faço eu mesmo. Se eu errar, peço desculpa e faço de novo. Acho que, quanto mais humano é o apresentador, mais veracidade ele passa — afirma, acrescentando: — O grande lance é enquadrar o meu eu às circunstâncias da vez. Num reality que tem competição envolvida, o apresentador também funciona como um juiz. A gente explica a prova e fica acompanhando para ver se alguém errou, se passou por fora da corda, se colocou o pé no chão sem poder... Vou ter que ficar com um olho no peixe e o outro no gato. Não estou ali pra fazer amigos. Não posso me deixar levar pela emoção, como costumava acontecer no “The voice”.

Que comecem os jogos!

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NO LIMITE...

...da precaução

“Fiz exames de cabeça e coração, fui ao dentista, dei uma geralzona na saúde antes de viajar. Está tudo nos conformes, estou preparado”.

...da criatividade

“Tenho um kit de sobrevivência que sempre levo na mala quando vou para o mato. Minha paradinha de fazer café, meu fogareiro pequenininho, protetor solar, álcool em gel, máscara, repelente, lanterna, abridor, canivete, copinhos de bambu... Sai qualquer coelho daquela cartola”.

...do bom humor

“Me ver estressado é quase como achar uma galinha com dentes, dificílimo! Mas falta de caráter, gente mentirosa, incompetente e grossa me irritam de verdade. Quando estou assim, fico mais calado, sofro sozinho. A chance de me ver gritando é zero”.