Com Mendonça, STF terá ministro terrivelmente leal a Bolsonaro até 2048

·3 minuto de leitura
Brazil's new Justice Minister Andre Luiz de Almeida Mendonca gestures during his swearing in ceremony at the Planalto Palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, in Brasilia, Brazil, April 29, 2020. REUTERS/Ueslei Marcelino
O hoje ministro da AGU Andre Luiz de Almeida Mendonca entre Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do STF, durante cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Seja como ministro da Justiça, seja como titular da AGU (Advocacia Geral da União), André Mendonça tem se mostrado um aliado terrivelmente fiel ao bolsonarismo em sua passagem pelo governo do capitão.

A postura de cão-de-guarda, em oposição à sua figura franzina e quase tímida, rendeu ao hoje chefe da AGU duras críticas dos pares, como o uso excessivo da Lei de Segurança Nacional para investigar adversários do presidente. Dois dos inimigos da pátria eram cidadãos do Tocantins que bancaram um outdoor dizendo que Bolsonaro valia menos do que um pequi roído.

O instrumento dos tempos da ditadura foi usado contra os mentores da mensagem e também cartunistas que desagradam o governo. Coisa de república bananeira.

Ao gosto do chefe, Mendonça já declarou, ao defender a reabertura de templos e igrejas na pandemia, que “verdadeiros cristãos estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”. (Não estão, como atesta este autor, que é cristão e filho de catequista).

A disposição em replicar as ordens do chefe rendeu a ele uma passagem só de ida para o Supremo Tribunal Federal.

Mendonça será indicado pelo presidente para substituir o recém-aposentado Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal.

Leia também:

O atual ministro da AGU largou na frente do procurador-geral da República Augusto Aras, outro nome aventado para o posto. Com alguma distância, diria.

Para Bolsonaro, é mais fácil encontrar um novo cão-de-guarda no governo do que no Ministério Público Federal, onde desdenhou da lista tríplice até achar, em Aras, um quadro alinhado ao seu projeto.

Aras desde então tem se mostrado um procurador obediente e submisso ao presidente responsável pela sua indicação. Mas ai de quem chamá-lo de Poste Geral da República, como fez Conrado Hübner Mendes em coluna recente na Folha.

Mendonça é o segundo nome indicado por Bolsonaro ao STF. O primeiro, Kassio Nunes Marques, tem feito da toga um letreiro de agradecimento ao capitão, a quem deu voto favorável em ao menos 20 julgamentos na Corte.

Além de um aliado leal, Mendonça cumpre o requisito da promessa feita por Bolsonaro a uma de suas mais importantes bases de apoio, a comunidade evangélica. O futuro ministro “terrivelmente evangélico”, termo cunhado pelo presidente em seu compromisso, é pastor da Igreja Presbiteriana Esperança, de Brasília.

Com ele, Bolsonaro passa a contar com dois aliados na Corte que seu filho Eduardo preferia demolir com a ajuda de um cabo e um soldado.

Antes disso, o indicado terá de passar por uma, ao que tudo indica, ruidosa sabatina no Senado. Há risco real de não ser aceito. Tudo vai depender do seu périplo entre os líderes da Casa, onde certamente vai tentar dirimir a fama de radical —ou terrivelmente qualquer coisa.

Foi o que fez, recentemente, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) ao convencer os colegas da Câmara que ela não só não mordia como podia chefiar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa.

Pouco depois ela mostrou a que veio e se tornou uma das principais vozes do Executivo na balela do voto impresso, a condição dada por Bolsonaro para entregar a faixa presidencial, em caso de derrota em 2022, sem guerra. O golpe, por enquanto, segue no forno.

Mendonça chegará ao Supremo antes de completar 50 anos.

Se aprovado, ele deixará a Corte no ano de 2048, quando terá 75 anos. Com representantes terrivelmente alinhados em postos-chave, o bolsonarismo se converte aos poucos em um projeto de destruição a longo prazo.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.
Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos