Anexo do Espaço Itaú de Cinema, na rua Augusta, vai fechar após venda de imóvel

·3 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dividido em dois endereços, o Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, em São Paulo, perderá seu tradicional anexo, após a venda do imóvel onde ele está localizado para uma incorporadora. Atualmente, o espaço abriga duas salas de cinema, salas de aula e o Café Fellini.

O Espaço Itaú, agora, tem até janeiro do ano que vem para exibir filmes em seu anexo, no número 1.470 da Augusta. A sede principal, do outro lado da rua, no 1.475, continuará funcionando normalmente –Adhemar de Oliveira, dono do cinema, deve assinar um contrato de renovação com seu locador em breve.

"Cinemas de rua, historicamente, ficam em prédios alugados. Houve uma oferta para que a gente comprasse o imóvel do anexo, mas nós não temos como. E nem é do perfil do nosso setor sair comprando imóvel", diz ele.

Vendido para a incorporadora Vila 11, o imóvel deve ser demolido para abrigar um prédio comercial. Na rua Antônio Carlos, ao lado, será erguido um prédio residencial, conectado a ele, reforçando o avanço da especulação imobiliária que tem tomado as ruas que desembocam na avenida Paulista.

"Depois de dois anos de pandemia, com a atividade mais fraca, nós estamos num momento de recuperação, não de investimento. Fazemos um trabalho de 30 anos na Augusta, o cinema foi essencial para transformar a rua. Isso aqui nos anos 1990 estava triste, mas infelizmente, na lógica da cidade, o nosso papel, de cinemas, teatros, restaurantes, é de embelezar. Damos vida à cidade, mas nesse momento ela está mudando e os pequenos negócios sofrem."

Agora, o Espaço Itaú estuda maneiras de incorporar a programação do anexo à sede principal, em frente –diminuindo as janelas entre uma sessão e outra e, também, tentando ampliar o espaço do Café Fellini, a bonbonnière que, apesar de estar presente nos dois imóveis, tem no puxadinho seu ambiente mais reservado e aconchegante.

Também não foi descartada a ideia de alugar um outro imóvel ou até mesmo expandir a sede verticalmente, num movimento que replicaria o que ocorre no entorno. Até o ano que vem, o anexo deve seguir funcionando, após um acordo firmado entre a incorporadora e os atuais ocupantes, que não precisarão pagar aluguel pelos próximos meses, enquanto estudam os próximos passos.

São migalhas, na visão de Hugo Delgado, do restaurante La Sabrosa. A tradicional taquería funciona na parte da frente do cinema desde 2014 e, agora, vai buscar um outro endereço para se fixar. Ele diz que a negociação ocorreu "de maneira agressiva, com muita pressão".

"Estamos falando de negócios milionários, e os pequenos, como o meu, precisariam de mais ajuda. Esse capitalismo agressivo está acabando com a vida na Augusta, onde agora só sobem prédios horríveis. É uma tristeza, especialmente para o cinema, que é uma instituição da cidade."

Ele conta que os próximos meses serão difíceis, já que o La Sabrosa herdou dívidas do período em que esteve fechado pela pandemia, e que só agora está conseguindo pagar. "A notícia nos atingiu como um tsunami."

Há ainda o investimento feito nos endereços. No caso do Espaço Itaú de Cinema, Oliveira estima que, hoje, para construir um espaço como aquele, aberto em 1995, com projetores, poltronas, sistemas de som e telas adequados a um novo espaço, gastaria ao menos R$ 5 milhões.

Ele se diz emotivo com o fechamento, mas se mostra compreensível em relação à lógica imobiliária da capital paulista. E cita "Sampa", de Caetano Veloso –"é a força da grana que ergue e destrói coisas belas".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos