Angústia e dor na Guatemala: o que sobrou após a erupção do vulcão Fuego

O vulcão Fuego deixou milhares de desabrigados. Até agora, amigos e familiares das vítimas procuram por conhecidos nos escombros. Rubén David Lacan/ Agência PLANO

Por Christian Gutiérrez e Rubén David Lacan/ Agência PLANO

A população afetada pela erupção do vulcão Fuego, na Guatemala, segue à espera de ação do poder público para encontrarem novos lares onde possam recomeçar suas vidas. Mais de um mês após a tragédia, grande parte dos sobreviventes se vira com o pouco que restou. Esta foi a maior erupção do vulcão Fuego em mais de duas décadas. Pelo menos 113 pessoas morreram, mais de 3 mil ficaram desabrigadas e 1,7 milhões foram afetadas, de acordo com dados da Coordinadora Nacional para la Reducción de Desastres de Guatemala (CONRED).

Até julho, a Associacíon Antigua al Rescate ainda contabilizava mais de 2 mil pessoas desaparecidas nas comunidades de El Rodeo, San Miguel Los Lotes e La Reina, do departamento de Escuintla; e em San José las Lajas, comunidade no departamento de Sacatepéquez. Estes dados não coincidem com o número de desaparecidos informado pela CONRED, que aponta apenas 332 pessoas nas mesmas regiões.

O vulcão Fuego deixou milhares de desabrigados. Até agora, amigos e familiares das vítimas procuram por conhecidos nos escombros. Rubén David Lacan/ Agência PLANO

Apesar do Instituto Nacional de Ciencias Forenses ter registrado 188 cadáveres desde a erupção, dos quais 85 já foram identificados, a CONRED ainda sustenta o número de 113 como total de mortos até o momento.

Segundo a Associacíon Antigua al Rescate, o Governo da Guatemala não está oferecendo a ajuda necessária para que as pessoas encontrem familiares desaparecidos, soterrados na zona de maior impacto. O trabalho de buscas já foi suspenso e o local foi declarado zona de risco.  A associação lamenta que as autoridades não os apoiem, e que impeça que máquinas de remoção de resíduos vulcânicos adentrem a região – mesmo sabendo que os gastos com as máquinas e a operação será da população, que arrecadou doações dos sobreviventes para tentar fazer o que o governo não fez.

O governo federal da Guatemala se pronunciou para declarar que o estado de calamidade se estenderá por mais 30 dias. Mas não citou mais o acordo para a construção de novas casas para as famílias desabrigadas. Inicialmente, foram prometidas 1.200 casas para contemplar todos os afetados.

O vulcão Fuego deixou milhares de desabrigados. Até agora, amigos e familiares das vítimas procuram por conhecidos nos escombros. Rubén David Lacan/ Agência PLANO

Cinco deputados do Congresso já denunciaram aos Ministério Público o secretário executivo da CONRED, Sergio Cabañas, por negligência ante a ativação de protocolos de emergência a partir do dia da erupção.

O vulcão Fuego deixou milhares de desabrigados. Até agora, amigos e familiares das vítimas procuram por conhecidos nos escombros. Rubén David Lacan/ Agência PLANO

Os congressistas Sandra Morán, Enrique Álvarez, Leocardio Juracán, Raúl Romero e Andrea Villagrán, que pertencem ao grupo Frente Parlamentar por la Transparencia, afirmam que existem indícios suficientes para que o MP investige Cabañas, sendo responsável, entre outras coisas, junto aos membros do CONRED, pela omissão de procedimentos prévios de evacuação. Eles acusam Cabañas de: homicídio culposos, incumprimento de deveres e maus tratos contra menores.

Apesar das buscas terem sido suspensas, moradores locais e órgãos internacionais continuam os trabalhos em busca de soterrados.