Animais afetados pela guerra aguardam nova vida em abrigo de Kiev

Em um grande abrigo para animais da capital da Ucrânia, Kiev, a veterinária Natalia Mazur carrega em seus braços um gato de três anos, Murzik, cuja proprietária morreu. Ela morava em Bucha, uma cidade nos arredores de Kiev que se tornou um símbolo das atrocidades atribuídas às forças russas durante a ocupação dos arredores da capital em março. No abrigo temporário do gato Mazur, há 19 cães e gatos.

Desde a abertura deste abrigo no final de março, 132 animais passaram por ele, procedentes da região de Kiev, mas também do leste da Ucrânia, onde se concentram os combates desde o início de abril. Cerca de 87 desses animais foram adotados por novos donos.

Muitos animais domésticos ucranianos compartilham os sofrimentos de seus donos desde o início da invasão russa à Ucrânia em 24 de fevereiro. Alguns perderam seus donos, casas ou ficaram feridos. Os mais sortudos foram acolhidos em abrigos, onde esperam encontrar novos donos.

"Sua dona sobreviveu aos bombardeios e à ocupação, mas morreu depois, não conseguiu suportar a situação", relata a veterinária, que segura o gato de olhos verdes. "Quando a guerra começou, vimos um aumento no número de animais abandonados", diz Mazur, que administra o hospital veterinário de Kiev e também este abrigo, instalado em um pavilhão de um centro de exposições.

Cães e gatos são alojados em seções diferentes. Os voluntários se revezam cuidando deles, alimentando-os ou caminhando com eles. No abrigo temporário, os animais são cuidados por voluntários como Dmitro Popov. Este botânico de 28 anos e sua esposa não podem ter um animal no apartamento que alugam. É por isso que eles decidiram "vir aqui e ajudar o máximo possível", diz ele.

"Com a ajuda da cidade e de voluntários, decidimos organizar este abrigo temporário. Também estamos tentando encontrar uma nova família anfitriã", explica Mazur à AFP.

"Se um animal perdeu seu dono e foi exposto a combates e bombardeios, ele precisa antes de tudo de socialização", explica o veterinário. "Eles têm o hábito de estar com humanos e, portanto, precisam de ternura e carinho, que alguém se sente com eles e converse com eles", acrescenta.

Desde o início da guerra, os animais domésticos ocupam um papel de protagonismo nas inúmeras imagens de ucranianos que fugiram de suas casas levando seus cães ou gatos com eles.

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