Anistia alerta para 'poucos avanços' de presidente do México nos direitos humanos

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, em entrevista coletiva no Palácio Nacional na Cidade do México, em 10 de julho de 2019

Para a organização Anistia Internacional (AI), o primeiro ano de Andrés Manuel López Obrador na presidência do México é marcado por uma vontade de resolver a crise de direitos humanos, mas com "poucos avanços substanciais".

"Os níveis muito altos de violência que atentam contra o direito à vida, a tortura ainda generalizada, as taxas alarmantes de violência contra as mulheres e uma estratégia de segurança militarizada mais viva do que nunca são uma demonstração da realidade trágica no México", disse em coletiva de imprensa Erika Guevara, diretora para as Américas da AI.

O México é atingido por uma onda de violência ligada ao narcotráfico, na qual, segundo dados oficiais, pela qual houve mais de 250.000 mortes desde dezembro de 2006, quando o governo lançou uma polêmica operação militar antidrogas. Há mais de 50.000 desaparecidos.

O presidente esquerdista, conhecido como AMLO por suas iniciais, foi durante anos um crítico duro dessa estratégia e diz que as causas da crescente criminalidade, como a falta de oportunidades para os jovens, devem ser atacadas. Mas, ao mesmo tempo, criou uma Guarda Nacional composta por cerca de 60.000 militares.

"López Obrador não se afastou substancialmente da estratégia de segurança altamente militarizada de seus antecessores, recusou-se a reconhecer a tortura como uma prática generalizada e endureceu a gestão de migração do país", acrescenta o relatório.

A organização londrina apresentou na quarta-feira o relatório "Quando as palavras não são suficientes", em que analisa a situação dos direitos humanos no México sob o governo de López Obrador, que no domingo completa um ano na presidência.

Em relação à violência de gênero, Tania Reneaum Panszi, diretora executiva da AI México, criticou que não existem "medidas concretas" para investigar efetivamente os feminicídios ou acabar com a impunidade.

A AI também denuncia as críticas do presidente aos jornalistas e à mídia, o que, na sua opinião, restringe e "põe em risco o exercício da liberdade de expressão".

Outra observação do relatório é que López Obrador não cumpriu seu compromisso, assumido em agosto, de reconhecer a competência do comitê contra desaparecimentos forçados das Nações Unidas, uma das maiores reivindicações de parentes de pessoas desaparecidas.