Anistia Internacional afirma que opositores presos na Nicarágua apresentam sintomas de Covid-19

·1 minuto de leitura
(Arquivo) A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Erika Rosas
(Arquivo) A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Erika Rosas

A ONG Anistia Internacional (AI) denunciou nesta sexta-feira que 12 opositores nicaraguenses presos em condições precárias apresentam sintomas de Covid-19 e não estão recebendo atendimento médico.

Segundo um comunicado da diretora da AI para as Américas, Erika Rosas, "alguns dos detidos têm problemas clínicos sérios e são especialmente vulneráveis ao vírus".

Grupos opositores calculam que mais de 80 pessoas estejam presas por motivo político na Nicarágua, em meio à repressão que persiste desde os protestos de 2018 contra o governo.

O escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu ao governo de Daniel Ortega que adote "medidas para reduzir a superlotação nas prisões" e libertar os opositores.

A Nicarágua registrou 16 casos de Covid-19, com cinco mortos, desde 18 de março. Autoridades sanitárias do país afirmam que não há contágio comunitário e deixaram de informar sobre o avanço da pandemia.

As cifras oficiais são questionadas pelo Observatório Cidadão, que realiza uma contagem independente com o apoio de organizações civis, redes sociais e a cidadania, e calcula que pode haver mais de 780 casos suspeitos de Covid-19 no país sendo tratados como pneumonia, a maioria no departamento de Manágua.

A vice-presidente e primeira-dama, Rosario Murillo, desqualificou os relatórios independentes, criticando os "cérebros disformes, doentes que inventam para caluniar ou difamar" o governo.