Anitta: médico explica como é a recuperação da cirurgia feita pela cantora

Na semana passada, Anitta foi submetida a uma cirurgia para o tratamento da endometriose. Nas redes sociais, a cantora desabafou sobre o pós-operatório. "Que recuperação maldita, viu. Dói, senhor. Quem aqui já fez essa cirurgia pelo amor de Deus? #Endometriose", escreveu no Twitter. A alta da cantora, que estava prevista para esta segunda, foi suspensa pela equipe médica para a realização de novos exames.

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Anitta: cantora tem alta suspensa para a realização de novos exames

A pedido do GLOBO, o ginecologista Maurício Abrão, coordenador de ginecologia da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo e professor da Universidade de São Paulo (USP) responsável pelo setor de endometriose do Hospital das Clínicas da faculdade, esclarece algumas dúvidas sobre quadros semelhantes ao da cantora.

De acordo com o médico, o tratamento da doença pode ser clínico ou cirúrgico. O primeiro, apenas controla os sintomas, já o segundo, trata a doença, mas sua indicação deve seguir critérios específicos, como a resposta da paciente a um tratamento clínico anterior, intensidade e frequência da dor, além de nível da doença, com base em exames de imagem.

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Se houver indicação, como ocorreu com Anitta, o procedimento é sempre minimamente invasiva. Na maioria dos casos, a técnica utilizada é a laparoscopia. Outras opções são a cirurgia robótica e a mini laparoscopia.

O processo consiste em fazer pequenos furos no abdômen para inserir instrumentos que permitem retirar ou queimar o tecido endometrial que se encontra danificando outros órgãos como ovários, região exterior do útero, bexiga ou intestinos.

— A cirurgia minimamente invasiva ajuda na rápida recuperação da paciente e também traz um detalhamento mais preciso do problema, pois permite enxergar de perto todas as lesões e tirar com precisão todos os focos de doença — explica Abrão, que também é presidente da Associação Americana de Laparoscopistas Ginecológicos (AAGL).

Outros benefícios desse tipo de cirurgia incluem menor trauma cirúrgico, menos sangramento intraoperatório, menor dor pós-operatório, redução da taxa de infecção e da ocorrência de aderências pós-operatórias.

Recuperação

Na maioria dos casos,o paciente tem alta hospitalar em até dois dias após a cirurgia. Internações mais longas podem ser necessárias a depender da extensão e da característica da doença. A orientação é que no primeiro dia a paciente já se levante e faça pequenas caminhadas. Pode haver dor. A intensidade depende do limiar de dor de cada indivíduo, além da extensão da cirurgia.

Em geral, são prescritos anti-inflamatórios e analgésicos. Na primeira semana em casa, a orientação é ficar de repouso. Atividades simples, como caminhar dentro de casa, são recomendadas.

— A segunda semana é mais flexível, sendo permitida uma caminhada externa, mas sem exagero — recomenda Abrão.

A partir da terceira semana é possível voltar a dirigir e a caminhada pode ser intensificada progressivamente. Esforços físicos mais intensos, como abdominais, só são permitidos dois meses após a cirurgia.

Nesse período e no longo prazo, o cuidado com a alimentação é fundamental. Inicialmente, deve ser feita uma dieta leve, que aumenta progressivamente. O médico também alerta para a importância de evitar alimentos inflamatórios como glúten, lactose, entre outros. Ele explica que isso também está associado à doença em si. Portanto, seguir uma alimentação anti-inflamatória ajudar a evitar que a doença retorne.Outros fatores que melhoram a qualidade de vida da mulher, como prática de exercício físico regular e redução do estresse também ajudam a reduzir o risco da doença no longo prazo.

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