ANJ critica Bolsonaro por mandar jornalistas 'calarem a boca'

O que está mantendo o Brasil longe dos saques são os R$ 600", diz Bolsonaro

RIO - A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou uma nota em que critica o presidente Jair Bolsonaro pela forma com que ele se dirigiu a jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada na manhã desta terça-feira. O presidente reagiu com irritação e mandou jornalistas “calarem a boca” quando foi perguntado se pediu ao novo diretor-geral da corporação Rolando Alexandre de Souza a troca do superintendente do Rio.

Pelo segundo dia seguido, Bolsonaro disse que não responderia aos questionamentos dos repórteres presentes no Palácio da Alvorada. Na segunda-feira, em rápida declaração, chamou de “fofoca” a acusação de Moro. Nesta manhã, depois de conversar com apoiadores, reclamou da cobertura do jornal “Folha de S. Paulo”, que afirmou que a troca na superintendência da PF no Rio será feita para atender a um pedido de Bolsonaro – a mudança também foi noticiada pelo GLOBO. Quando foi perguntado se havia feito a solicitação para a troca, disse três vezes aos jornalistas para “calarem a boca”.

– Não tem nenhum parente meu investigado pela Polícia federal (no Rio), nem eu nem meus filhos, zero. É uma mentira que a imprensa replica o tempo todo, dizendo que meus filhos querem trocar o superintendente (do Rio). Para onde está indo o superintendente do Rio? Para ser o diretor-executivo da PF. Eu estou trocando ele? Estou tendo influência sobre a Polícia Federal? Isso é uma patifaria. Cala a boca, não perguntei nada (quando repórteres perguntaram se ele havia pedido a troca) - disse o presidente, em tom irritado, e acrescentou: - (O delegado Carlos Oliveira) vai ser diretor-executivo a convite do atual diretor-geral. Não interferi em nada. Se ele for desafeto meu e se eu tivesse ingerência na PF, não iria para lá. Não tenho nada contra o superintendente do Rio de Janeiro e não interfiro na Polícia Federal.

A ANJ afirma que "mais uma vez" o presidente "mostra sua incapacidade de compreender a atividadejornalística e externa seu caráter autoritário".

"Os jornalistas trabalham para levaros fatos de interesse público ao conhecimento da população e têm o direito e odever de inquirir as autoridades públicas.É lamentável e preocupante que o presidente faça dos ataques aos jornalistas e aojornalismo uma rotina contra a civilidade e a convivência democrática", diz a associação em nota.