ANJ lamenta saída de jornalistas para instalação de gabinete de Lira: 'atenta contra a transparência do parlamento'

Bruno Góes
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BRASÍLIA — A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentou nesta terça-feira a ordem dada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de remover jornalistas do comitê de imprensa da Câmara dos Deputados. Em nota, a ANJ diz que o ato diminui a transparência do parlamento.

Uma semana depois de ser eleito presidente, Lira decidiu que os profissionais serão realocados em espaço localizado no subsolo da Câmara, longe da atividade parlamentar. Os jornalistas que fazem a cobertura do Legislativo ficam em um comitê, em área com acesso ao plenário, mas serão despejados para que o novo presidente se instale seu gabinete no local.

Com a mudança, Lira não será mais obrigado a atravessar o chamado Salão Verde para entrar em plenário. A presidência ficava em local contíguo ao salão. Lá, todos os presidentes da Câmara eram interpelados antes de uma sessão.

"A ANJ lamenta a decisão, que não contribuiu para aproximar a imprensa do Legislativo. Os jornalistas que atuam na Câmara têm papel essencial no acompanhamento das atividades da Casa e na relação dos deputados com a sociedade. Toda medida que dificulta o trabalho da imprensa atenta contra a transparência do parlamento e a necessária cobertura e acompanhamento dos trabalhos legislativos”, disse, em nota, a associação.

Nesta terça-feira, a diretoria-geral da Casa informou que os jornalistas serão retirados na quinta-feira.

Antes de Lira, alguns presidentes da Câmara tentaram acabar com o comitê de imprensa, mas desistiram. Em 2015, a gestão de Eduardo Cunha (MDB-RJ) quis dar prosseguimento ao mesmo projeto de Lira, enquanto enfrentava processo no Conselho de Ética.

Em 2007, o então presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), cuja dificuldade para lidar com a cobertura dos jornalistas era pública, tentou desengavetar um projeto do ex-presidente João Paulo Cunha (PT-SP), condenado no mensalão, de transferir o Comitê de Imprensa do local em que já funcionava há mais de 30 anos para outra área.