Ano-Novo na Times Square espelha angústia dos EUA frente a pandemia sem fim

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    Bill de Blasio
    109th Mayor of New York City

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Nova York passou 2021 esperando por um grande evento que marcasse o fim da era da Covid-19, com muita gente reunida, sem medo de contágios. A festa da virada para 2022, na Times Square, era uma forte candidata a cumprir esse papel simbólico. Mas, de novo, faltou combinar com o vírus.

No primeiro semestre do ano, o avanço da vacinação nos EUA gerava a expectativa de um verão livre da Covid. O presidente Joe Biden disse esperar que o feriado de 4 de julho marcasse também a independência da pandemia. Mas muitos americanos recusaram o imunizante, e a doença voltou a ter alta no auge do calor nos EUA, superando 100 mil casos diários no começo de agosto.

Naquele mês, Nova York sediou um festival de shows no Central Park para celebrar a reabertura. Mas não havia como ter tranquilidade em meio a uma média de 145 mil infecções diárias no país. O evento, previsto para durar quatro horas, foi encerrado de forma abrupta devido a uma tempestade de raios.

Os EUA chegam ao final de 2021 com uma nova alta da doença, com média acima de 300 mil novos casos diários pela primeira vez desde o início da pandemia --sendo quase 10% deles na cidade de Nova York. Embora tenha havido forte elevação no número de contágios, o total de mortes na cidade-símbolo do país segue baixo --média de 25 por dia-- enquanto os óbitos em âmbito nacional têm subido: a média está na faixa das 1.500 mortes diárias.

O feriado de Natal foi marcado por cenas de filas enormes nos locais de teste de Covid, centenas de voos cancelados e falta de funcionários, afastados após serem contaminados pelo vírus. Em meio a esse cenário, mais de dez produções da Broadway tiveram sessões canceladas devido a contágios no elenco, incluindo musicais como "Alladin", "Hamilton" e "The Lion King".

Apesar da piora nos números, o prefeito Bill de Blasio decidiu manter a festa na noite do dia 31, mas em escala menor: apenas 15 mil pessoas poderão entrar na área do evento. Antes, estavam previstas quase 60 mil. Todos terão de apresentar comprovante de vacinação --ou uma prova de que já tiveram Covid-- e usar máscara.

"Os nova-iorquinos tiveram um tremendo avanço no último ano. Há muito para celebrar, e as medidas adicionais de segurança vão manter a multidão plenamente vacinada segura conforme entramos no novo ano", disse o prefeito, ao anunciar a redução da festa.

Blasio quer mostrar que a cidade não pretende fechar as portas de novo, e busca um meio-termo para conter a doença sem restringir (tanto) as atividades. A metrópole depende muito da renda do aluguel de escritórios e do turismo, dois setores que amargam prejuízos em caso de restrições mais severas. Só os viajantes traziam US$ 4 bilhões por ano à economia local antes da pandemia.

O prefeito democrata está em seus últimos dias no cargo: no sábado (1º), Eric Adams, do mesmo partido, assume o comando. Ele será o segundo homem negro a chefiar a maior metrópole dos EUA e apoiou a decisão de manter a festa da virada.

Apesar do entusiasmo de Blasio, especialistas recomendam que seria melhor evitar grandes festas na virada. "Quando você está falando de 30, 40, 50 pessoas celebrando o Ano-Novo, você não sabe se estão vacinadas. Eu recomendaria fortemente ficar longe [das festas] neste ano. Haverá outros anos para fazer isso", disse Anthony Fauci, principal infectologista dos EUA e assessor de Biden, em entrevista à CNN americana.

Blasio, porém, diz que fará de tudo para evitar um novo lockdown e aposta em ampliar a vacinação: a prefeitura dá US$ 100 a quem tomar a dose de reforço e determinou a imunização obrigatória de funcionários públicos e do setor privado. Desde a última segunda-feira (27), quase 200 mil empresas da cidade não podem mais permitir o expediente de que colaboradores que não tenham tomado ao menos a 1ª dose do imunizante. A multa parte de US$ 1.000 em caso de descumprimento.

Apesar do esforço, 19 em cada 100 habitantes da cidade ainda não tomaram nem a primeira dose da vacina. A cidade tem 80,8% dos moradores protegidos apenas uma dose, e 71,9% com a segunda aplicação ou imunizante de dose única.

Na noite do dia 31, o prefeito será o responsável por acionar o botão que dará início à descida da bola de cristais, ritual que é símbolo da virada na cidade e é executado há mais de cem anos. As festas de Ano-Novo no local começaram em 1904, organizadas pelo jornal The New York Times como forma de promover o endereço de sua nova sede, rebatizado de Times Square (praça Times) devido à mudança.

A descida da bola foi uma forma de contornar uma proibição a fogos de artifício determinada pela prefeitura, e a inspiração veio de uma prática naval da época. Vários portos, incluindo o de Greenwich, tinham uma grande esfera presa a um mastro, que descia todos os dias ao meio-dia ou às 13h. O sinal podia ser visto de muito longe e ajudava os capitães dos navios a acertarem seus relógios a bordo.

A primeira bola de Ano-Novo, que desceu em 1907, era feita de ferro e madeira, com cem lâmpadas de 25 watts cada, o que gerava um forte efeito visual para a época. A esfera foi sendo aperfeiçoada nas décadas seguintes e hoje é decorada com cristais e iluminada por milhares de LEDs.

A descida dura 60 segundos, e termina exatamente quando começa o novo ano. Antes disso, a festa desta sexta (31) terá seis horas de programação, com shows de duas cantoras em alta na música pop, Karol G e Chlöe, dois nomes que fizeram sucesso nos anos 2000, LL Cool J (cantor de hip hop) e KT Tunstall (de "Suddenly I See"), além da banda Journey, famosa nos anos 1980 por hits como "Don't Stop Believing".

A cena de uma pequena multidão, usando máscaras, cantando junto "não pare de acreditar", será um bom retrato de como termina o segundo ano da pandemia.

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