Ano Novo no Rio: saiba todos os detalhes do réveillon de Copacabana, que terá pegada digital e manifesto lido por Teresa Cristina

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Após um último réveillon morno por causa da pandemia de Covid-19, Copacabana não terá palcos com shows, mas se prepara para a virada de 2022 com muitas atrações e uma pegada digital para evitar aglomerações. Um dos momentos mais emocionantes da festa promete ser a leitura de um manifesto à vida gravado pela cantora Teresa Cristina, que antecederá a contagem regressiva e os 16 minutos de queima de fogos. Aliás, Teresa Cristina e outras cinco cantoras terão participações mais que especiais ao longo do espetáculo, que começará às 20h do dia 31 e se estenderá até 1h de 1º de janeiro. Cada uma citará uma música, que será tocada em seguida, manifestando desejos de paz, felicidade, amor, gratidão, amizade e alegria.

Com o tema “Celebre a esperança”, a programação musical será comandada pelo DJ MAM de um ponto da areia. Mas ele estará invisível para o público presente. Nas 25 torres de som da praia, será possível escutar a trilha que ele preparou. Para vê-lo — e MAM fará performances — será preciso acessar o canal da Riotur, no YouTube.

— Já que não podemos chamar para as festas, estamos levando a festa para a casa das pessoas. De uma forma bem democrática, estamos oferecendo um DJ para estar na sala de casa das famílias, com uma trilha musical incrível e que valorizará a música brasileira. Todos ficaremos na mesma vibe musical para celebrarmos o ano de 2022 juntos — ressalta Daniela Maia, presidente da Riotur.

Como já anunciado antes, para desestimular a ida a Copacabana, o metrô fechará às 20h do dia 31, só reabrindo às 7h de 1º de janeiro, e haverá bloqueio de entrada de ônibus fretados a partir de meia-noite do dia 30.Também foram ampliados os pontos onde haverá espetáculo pirotécnico: serão dez, em vez dos três tradicionais. Além de Copacabana, haverá queima de fogos em Flamengo, Barra da Tijuca, Recreio, Piscinão de Ramos, Parque Madureira, Ilha do Governador, Igreja da Penha, Bangu e Praia de Sepetiba.

Entre os que não abrem mão de estar com os pés na areia na virada do ano está a família do gerente de vendas Alex Santos, que chegou de Cuiabá (Mato Grosso) na semana passada. Ele veio com a mulher Thanny, a filha Ana Beatriz e a sogra Maria José. Ele estão hospedados na casa de uma parente, na Taquara, em Jacarepaguá. Já estiveram em Copacabana para reconhecer o terreno, e retornam dia 31.

— Com segurança, vamos passar o réveillon na praia. É a minha primeira vez no Rio, e quero curtir cada cantinho da cidade, ir ao Pão de Açúcar, ao Cristo e até assistir a um ensaio de escola de samba — entusiasma-se Thanny.

Para quem, como a família Santos, estiver na praia e quiser assistir, e não somente ouvir o evento de Copacabana, é possível apontar o celular para um QR Code, que estará visível nas torres de som, envelopadas com desenhos feitos por artistas.

O carioca MAM estará caracterizado como seu personagem, um indígena Jedi, inspirado nos heróis da série Star Wars, a bordo, segundo ele, “de uma caravela que nos leva para passear pelos sotaques carregados do Brasil e do mundo, sempre em diálogo com a visão periférica do Rio”. A trilha sonora da festa começará com uma música épica, e incluirá bossa nova, samba e MPB, dentre outros estilos cariocas e brasileiros “em versões suaves”:

— Posso garantir que clássicos que me inspiraram a compor a música oficial da cidade, “Oba Rio”, que completa dez anos este ano como hino da Riotur, bem como o tema dos 80 anos do Cristo, “Redentor”, serão tocadas em versões originais e revisitadas. São elas “O Guarani”, do maestro Carlos Gomes, “Samba do Avião”, de Tom Jobim, e “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil.

Heitor Villa-Lobos também não faltará.

— Nosso modernista apelidado carinhosamente de “Índio de Casaca” é uma grande inspiração e será um fio condutor — conta MAM, que completa 20 anos como DJ em 2022.

Na programação, ele prepara surpresas:

— Estamos recolhendo um material inédito com a classe artística para uma importante campanha e estrearemos o remix de um grande clássico do samba carioca. É o que posso adiantar.

MAM lembra ainda que o réveillon cairá na sexta-feira, dia de Oxalá, orixá da paz, e, coincidentemente, dia de usar branco, como é hábito no réveillon:

— Sincretizado com Jesus Cristo, a energia da paz estará no ar, e o meu desejo é fazer a trilha sonora para que ela seja levada ao coração de todos neste fim de ano. Lembraremos a paz em todas as suas formas, como a tolerância religiosa e o respeito às diferenças, que é um dos nossos maiores ativos como cariocas

Com a cidade já cheia de turistas neste fim de ano, o setor hoteleiro aposta que os hotéis estarão com 100% dos quartos lotados na noite de réveillon, mais do que os 94,95% da virada de 2019 para 2020. Na última pesquisa, feita a 15 dias do dia 31, 86% das reservas estavam confirmadas, sendo que em Ipanema e no Leblon o índice era de 92,19%. E nesses números não estão contabilizados os que alugam apartamentos nem os que se hospedam em casas de parentes.

— O pessoal está querendo sair de casa, o dólar está muito alto, o que desestimula as viagens internacionais, não vai ter réveillon em várias cidades, e o Rio está com alto índice vacinal, tomando as medidas para cobrar passaporte vacinal — justifica Alfredo Lopes, presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio (HotéisRio). — O Rio vai bombar mesmo. A grande maioria é de turistas nacionais, que está vindo em massa. Acreditamos que o turista internacional chegue para o carnaval.

A carioca Isabel Damas, de 30 anos, que mora há cinco na Irlanda, está passando as festas no Rio com o namorado, o romeno Octavian Nechiti, de 28. Octavian veio com uma missão especial: pedir Isabel em casamento a seus pais. Ele aproveita, e como, para curtir a cidade:

— O Rio é maravilhoso. O trânsito é que é meio complicado, ninguém respeita nada. Mas gosto de calor, e está muito frio na Irlanda — conta Octavian.

Como um todo, o setor de turismo está comemorando a chegada do Ano Novo. Segundo o Rio Convention Bureau (RCVB), formado por 15 categorias de prestadores de serviços turísticos, os pontos tradicionais de visitantes, como Pão de Açúcar e Corcovado, devem retomar o patamar de 2019, anteriores à pandemia. As novas atrações, como a roda gigante Yup Star e o Museu do Amanhã, no Porto Maravilha, além do BioParque, na Quinta da Boa Vista, também esperam receber um grande fluxo de turistas esta semana.

— O setor de bares e restaurantes é outro que deve voltar ao faturamento de 2019, pelo levantamento que fizemos. Em relação ao ano passado, a receita deve crescer 40% — afirma a diretora-executiva do RCVB, Roberta Weber.

Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, complementa:

— A suspensão dos shows deu um potencial para os restaurantes investirem mais em ceias, porque vai ter mais demanda de pessoas que queiram ficar dentro de estabelecimentos abrigados.

Roberta Weber fala em recomeço do turismo, depois de quase dois anos de pandemia. Mas diz que o setor vive um momento diferente:

— Estamos nos readaptando à nova realidade. O Rio é um destino que acomoda bem o novo viajante. Estamos lidando hoje com um viajante diferenciado, que se modificou.

Mesmo com algum receio, o administrador Moron Fernandes resolveu passear no Rio com a mulher, a coordenadora pedagógica Taissa fernandes, grávida de sete meses de um casal de gêmeos, e a filha Júlia, de 7 anos. Bateram muita perna. Foram ao Cristo, ao Pão de Açúcar, à praia e ao shopping. Porém, sem abrir mão da máscara.

— Cheguei com medo, mas, depois, relaxei um pouco — conta Moron.

“Compus muito para a cidade e quero tocá-la de todos os cantos”

Independentemente de credo, mas focado na obra literomusical, inspiro-me na Oração de São Francisco de Assis, padroeiro do meio ambiente e dos animais, para responder a essa pergunta. Respeitosamente, buscarei ser um instrumento através do repertório curativo de nossa música popular brasileira, em especial, a carioca, e compostas por mestres da MPB para a nossa cidade. Acredito que seja uma singela tentativa de oferecer um conforto.

Sexta-feira, é dia de Oxalá, orixá da paz, e, coincidentemente, dia de usar branco, como hábito também no réveillon. Sincretizado com Jesus Cristo, a energia da paz estará no ar, e o meu desejo é fazer a trilha sonora para que ela seja levada ao coração de todos neste fim de ano. A paz em todas as suas formas como a tolerância religiosa e o respeito às diferenças, que é um dos nossos maiores ativos, em sermos cariocas.

Tenho me emocionado muito com essa oportunidade de comunicação, e deixando a inspiração brotar. Antes do cancelamento dos shows ao vivo, eu tinha um show preparado de uma hora de duração, e o meu foco era trabalhar um repertório de brasilidade e carioquice, que, num momento especial, dialogasse com a preservação do meio ambiente e causas que acho importantes, como a indígena.

Bossa nova, samba e MPB, dentre outros estilos cariocas e brasileiros em versões suaves. Será uma extensão do que trabalhamos com o Brazilian Lounge há 20 anos e que hoje está no projeto Jazz Botânico, meu duo com o multi instrumentista Rodrigo Sha. Um som mais ambiente…

Posso garantir que clássicos que me inspiraram a compor a música oficial da cidade, “Oba Rio”, que completa dez anos este ano como hino da Riotur, bem como o tema dos 80 anos do Cristo, “Redentor”, serão tocadas em versões originais e revisitadas. São elas “O Guarani”, do maestro Carlos Gomes; “Samba do Avião”, de Tom Jobim; e “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil.

O ano de 2022 é muito importante para o Rio e para a cultura brasileira, assim como para a minha carreira. Realizaremos a Rio+30 e celebraremos os 100 anos da Semana de Arte Moderna. Também celebrarei 20 anos de carreira, quando lancei o disco Brazilian Lounge, que foi trilha oficial da Fashion Rio e levamos a carioquice às passarelas. E os dez anos do lançamento do álbum “Sotaque Carregado”, que fundiu nosso sotaque carioca com os do Brasil e as pistas do mundo.

Heitor Villa-Lobos, nosso modernista apelidado carinhosamente de “Índio de Casaca”, é uma grande inspiração e será um fio condutor.

Como meu personagem é um indígena Jedi, inspirado nos heróis de Star Wars, a releitura suave do repertório passa pelos ritmos contemporâneos que apontam para uma nova esperança através do futurismo presente na cultura pop. Poderemos ter como exemplo uma música da Anitta, só que cantando uma bossa nova eletrônica.

Vai sim. Estamos recolhendo um material inédito com a classe artística para uma importante campanha e estrearemos o remix de um grande clássico do samba carioca. É o que posso adiantar.

Em minha apresentação, meu personagem está a bordo de uma caravela que nos leva para passear pelos sotaques carregados do Brasil e do mundo, sempre em diálogo com a visão periférica do Rio. Uso instrumentos de led e um figurino feito com material reciclado do carnaval. Além de discotecar, canto alguns temas, como a “Oba Rio”, tema da Riotur, e “Sambarimbó”, que conecta o Rio à Amazônia, em Belém do Pará.

Para o réveillon, o passeio ocorrerá muito pelos bairros do Rio, como Madureira. Nasci na Tijuca, vivi a primeira infância na Penha, e sou do Méier. Na verdade, sou do Rio e do Brasil. Mas, por aqui, circulei pela Zona Sul, em bairros como Botafogo, Laranjeiras, Urca, e pelo Morro da Conceição, na Zona Portuária. Compus muito para a cidade e quero tocá-la de todos os cantos, para encantar o mundo, nessa virada.

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