Ano Novo: os rituais mais curiosos para a virada na América Latina

·8 min de leitura
Pessoas abraçadas e alegres
Todos esperam saúde e felicidades no Ano Novo

Como a América Latina celebra a chegada do Ano Novo?

Em cada país há distintas formas de comemorar essa data. No imaginário popular, são rituais que servem para encerrar um ciclo e começar o outro de forma positiva. Muitas dessas simpatias possuem semelhanças, com uma ou outra variação que depende do país.

Alguns rituais são muito conhecidos, como as famosas 12 uvas, uma para cada batida do relógio, que precisam ser consumidas à meia-noite enquanto a pessoa faz um pedido.

Há também aqueles que guardam uma nota no bolso ou uma moeda no sapato para que não falte dinheiro no ano seguinte.

Existe também uma simpatia na qual a pessoa anda com uma mala por um quarteirão, ou até mesmo dentro de casa, para que não faltem viagens no ano seguinte. Há, inclusive, quem faça esse ritual com o passaporte nas mãos.

Conhecidos ou não, similares ou diferentes, todos esses rituais têm um ponto em comum: a busca por um novo ano com prosperidade. Há quem peça dinheiro, saúde, amor ou mesmo tudo isso junto. Mas há também quem faça essas simpatias por pura diversão.

Em meio aos diversos rituais que são adotados nos países da América Latina, nem todos são tão conhecidos. Abaixo, conheça alguns deles:

Taças com uvas em cima da mesa
As 12 uvas durante a meia-noite é uma das tradições adotadas por países da América Latina

Jogar água pela janela

Em alguns países, é preciso tomar cuidado nesse período do ano para não ser atingido por um balde de água enquanto anda na rua.

No Uruguai é celebrado o "baldaço", no qual as pessoas jogam um balde cheio de água pela janela. Dizem que essa tradição afasta as tristezas do ano que termina e dá boas-vindas a um novo ano cheio de prosperidade.

Como é verão no Cone Sul, muitas pessoas não levam isso a sério e veem mais como uma brincadeira (ou algo ruim, dependendo se você é a pessoa que lança ou recebe a água).

Outras versões dessa simpatia economizam na quantidade de água: em vez do balde, jogam uma "bombita", um balão cheio d'água, ou um apenas um copo com o líquido.

Em Cuba é feito algo semelhante, chamado "el cubazo", que, como no Uruguai, consiste em jogar um balde de água pelas janelas ou sacadas. Isso tem dois objetivos: limpar as energias e divertir os vizinhos.

Uma variação da água é jogar papéis pelas janelas.

Mulheres jogam água pela janela
Durante esse período no Uruguai, é preciso tomar cuidado com o "baldaço"

Jogar fora calendários velhos

No Uruguai também é costume jogar fora calendários velhos, que estão rasgados ou queimados.

Isso pode ser por causa da tradição de desfazer de tudo o que é antigo para dar lugar a novos objetos.

Essa tradição de se livrar de tudo o que é velho não envolve necessariamente os calendários. Em alguns países, costumam limpar a casa completamente como um ato de purificação, seja aqueles sapatos que não usa mais ou algo que não precisa mais.

Em outros lugares, há quem varra a casa, certificando-se de que tirou todo o pó para fora da porta. Mas você tem que limpar o mais profundamente possível, para evitar que as energias do ano velho permaneçam na residência.

Bonecos grandes
Em muitos países da América Latina bonecos são queimados

A queima de fim de ano e 'as viúvas'

Como a água, o fogo é um elemento que significa renovação ou purificação.

Em muitos países da América Latina, um boneco feito com materiais inflamáveis, como papel, serragem e roupas velhas, é queimado.

No Equador, a "queima do ano velho" é uma prática popular, com origens no período colonial, que consiste em queimar um boneco que costuma representar uma pessoa famosa, real ou fictícia — como um político ou o protagonista de um filme.

Essa tradição vem acompanhada pelas "viúvas": homens vestidos de mulheres com maquiagem exagerada e perucas que "choram" pelo "velho", enquanto caminham no trânsito pedindo doações que, posteriormente, serão usadas para uma festa.

Minutos antes da meia-noite, essas "viúvas" começam a leitura do testamento, preparado com muito humor e sátira, em meio a gritos de dor. As pessoas assistem enquanto fazem outros rituais, como o das 12 uvas ou o passeio com a mala.

As "viúvas"
As "viúvas"

Já no norte do Chile, é feita uma tradicional queima de bonecos, que são enormes figuras montadas para a data, que simbolizam as experiências ruins do ano que está acabando.

Essa prática de queima também se estende pela Nicarágua, Colômbia, Peru, México e algumas regiões da Venezuela e da Argentina.

Outra variação que é praticada em muitos países, muito mais simples, é escrever desejos para o ano novo (geralmente três) em um papel, ou anotar coisas ruins do ano que está passando, e queimar à meia-noite com as devidas precauções para evitar acidentes.

Papel queimando
Anotar tudo de ruim que aconteceu no ano e queimar à meia-noite é um dos rituais adotados por algumas pessoas

Lentilhas, mas não só para comer

Se você quer ter sorte, uma simpatia recomendada é comer lentilhas. Há quem acredite que esse alimento pode significar fortuna.

Para alguns, a lentilha não é apenas alimento nesse período e a colocam em locais onde costuma haver dinheiro, como os bolsos ou a carteira.

Há também quem receba o Ano Novo abraçando seus entes queridos com um punhado de lentilhas na mão, ou quem coloque esses grãos nos cantos da casa para que a sorte chegue ao local.

O costume não se limita a lentilhas, mas também a diversos tipos de grãos, como o arroz. O grão é colocado em um prato com uma vela, que é deixada acesa durante a noite do dia 31 e depois é enterrada.

Muitos acreditam que esse costume da lentilha veio da Itália e justificam que surgiu porque o grão lembra as moedas da Roma Antiga.

Lentilha
Lentilha

Nem todas as pessoas confiam apenas em um punhado de lentilhas ou arroz para chamar sorte e dinheiro.

No México, muitos costumam dar lembrancinhas de ovelhas como presente porque consideram que o animal traz coisas positivas.

Na Costa Rica, as pessoas carregam um ramo de Santa Lúcia, flor que acreditam que traga boa sorte. É colocado em carteiras ou malas para que não falte dinheiro.

Lembrancinha em formato de ovelha
Lembrancinha em formato de ovelha

Como estará o tempo?

Se você está no México ou na Colômbia, talvez saiba o que são as "cabanuelas".

Mas caso você não saiba, se trata de um método tradicional de previsão meteorológica, que começa a partir do ano novo. E muita gente acredita na veracidade disso e usa como referência para saber como será o clima no novo período.

Há quem insista que esse método não tem qualquer rigor científico. Mas isso não impede que muitos aproveitem esse ritual para ver como estará o clima nos próximos meses e até fazer planos com base nisso.

O método é o seguinte: os primeiros 12 dias de janeiro representam um mês de forma crescente (dia 1 é janeiro, dia 2 é fevereiro e assim por diante).

E de 13 a 24 de janeiro é ao contrário (13 de janeiro é dezembro, 14 de janeiro é novembro, e assim vai).

Depois, de 25 a 30 de janeiro, cada dia representa dois meses em ordem crescente dependendo do horário (de meia-noite de 25 de janeiro ao meio-dia representa janeiro, e de meio-dia até meia-noite seguinte representa fevereiro).

E, finalmente, o dia 31 de janeiro, onde cada trecho de duas horas representa um mês de forma decrescente (da meia-noite às 2h é dezembro, das 2h às 4h é novembro etc).

Ekeko

No Peru e na Bolívia não pode faltar o ekeko, uma estatueta de poucos centímetros que representa um homem vestido de maneira típica do altiplano andino.

O ekeko
O ekeko representa a abundância

Embora o culto a esse personagem não se limite ao Ano Novo, as pessoas enxergam esse período como uma oportunidade ideal para a presença dessa divindade.

Dizem que ekeko está carregado com um grande número de fardos cheios de alimentos e necessidade. E se você cuidar bem, trará abundância e alegria. Mas cuidado, porque se for negligenciado ou abandonado, o ekeko pode reverter as coisas e causar infortúnios.

O cuidado deste amuleto no final do ano também coincide com o fato de que em janeiro é celebrada a Feira da Alasita, uma festa tradicional que tem o ekeko como figura central.

O ovo

Em alguns países da América Central é comum quebrar um ovo e colocá-lo em um copo d'água. Há quem o deixe pernoitar no dia 31 de dezembro no lado de fora, pela janela, ou mesmo o coloque embaixo da cama.

Dizem que a forma que o ovo vai assumir pode ser um indicativo de como será o ano novo.

Máscara vermelha
Em meio à pandemia, até a máscara pode ser usada com uma cor que represente algo durante o Ano Novo

O que a pandemia nos trouxe

Assim como para muitas pessoas no Brasil, em outros diversos países há quem acredite que a roupa que vestimos durante a virada do ano é um elemento importante.

Em países como a Venezuela, por exemplo, muitos têm o costume de "fazer a estreia" das últimas roupas adquiridas. A ideia é que a pessoa não pode chegar ao Ano Novo com roupas velhas.

A cor também é importante. Por exemplo, o amarelo é para atrair dinheiro (muitos insistem que essa tem que ser a cor da roupa íntima), vermelho para quem procura um relacionamento amoroso e branco para boas energias.

Em meio à pandemia, essa prática também ganhou uma nova característica: há pessoas que adaptam a cor da máscara conforme aquilo que quer com mais intensidade para o novo ano.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos