Ansiedade afeta com força os mercados

Homem observa as taxas de câmbio em Tóquio

A ansiedade provocada pelo avanço da pandemia do novo coronavírus voltou a abalar com força nesta quarta-feira os mercados, com perdas expressivas nas Bolsas da Europa, da Ásia e em Wall Street, após um início de semana positivo.

Os mercados são afetados pela aceleração letal do vírus nos Estados Unidos, que superou a barreira de 4.000 mortos e agora tem mais vítimas que a China. O presidente Donald Trump pediu à população que se prepare para semanas "muito, muito dolorosas".

A Bolsa de Nova York fechou com forte queda. O índice Dow Jones teve queda de 975 pontos, ou 4,4%, fechando em 20.943.51 unidades. O tecnológico Nasdaq Composite Index fechou a 7.360,58 unidades, enquanto o S&P 500, fechou com queda de 4,41%, a 2.470,72 unidades.

Na Europa, Paris fechou com baixa de 4,30%, Frankfurt 4,23% e Londres 3,83%. Milão recuou 2,97% e Madri 3,04%.

Mais cedo, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em baixa expressiva de 4,5%, com os operadores preocupados com um possível confinamento da população na capital japonesa, além da situação econômica.

"As Bolsas ao redor do mundo fecharam um trimestre horrível, um dos piores da história, e a passagem para o segundo trimestre deve ser muito delicada após as declarações sombrias de Trump sobre a situação nas próximas duas semanas nos Estados Unidos", resumiu Tangi Le Liboux, analista da corretora Aurel BGC.

Trump, que chegou a manifestar a expectativa do retorno das atividades até a Páscoa, disse que provavelmente será necessário esperar um ou dois meses.

Na terça-feira, o índice Dow Jones Industrial Average de Wall Street fechou em queda de 1,84% e encerrou seu pior trimestre desde 1987 (perda acumulada de 23%).

No mercado do petróleo, os preços voltaram a cair nesta quarta-feira, após um forte aumento das reservas americanas em um mercado com excesso de oferta e demanda em queda livre.

O barril de "light sweet" (WTI) para entrega em maio recuou 0,8%, fechando em Nova York, a 20,31 dólares. Em Londres, o Brent do Mar do Norte para entrega em junho recuou 6,1%, a 24,74 dólares.

O mercado da dívida permanece relativamente calmo, como nos últimos dias, em grande medida irrigado pela generosidade dos bancos centrais.

O euro mantém a trajetória de desvalorização em relação ao dólar.

Os indicadores do dia devem agravar ainda mais o cenário.

Para a indústria automobilística, a queda histórica de mais de 70% do mercado francês e o derretimento das vendas no Japão já marcavam o tom.