Na Antártica, turistas mergulham com paisagem de pinguins

Por Pierre-Henry DESHAYES
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Baía de Chiriguano nas ilhas Shetland do Sul, na Antártica, em 7 de novembro de 2019

"São como facadas", comenta um turista com roupa de banho depois de entrar na água, a 3ºC, sob o olhar atento de um grupo de pinguins.

Ao redor do mar calmo, blocos de gelo em forma de origami.

Para chegar à ilha Meia Lua, na Antártica, este norueguês de 58 anos percorreu 14.000 quilômetros, gastou milhares de euros e deixou uma pegada de carbono de mais de 5 toneladas.

Indiferente aos bípedes trajando camisetas flúor, a vida floresce nessa primavera austral, em meio de um silêncio ensurdecedor: pinguins tão hábeis em terra como na água, baleias pesadas e majestosas; leões marinhos e focas apáticas pegando sol...

A Antártica, terra de aventureiros, é também "o coração da Terra" para os cientistas, que lembram que, ao encerrar de forma duradoura grandes quantidades de gases de efeito estufa, contribui para frear o aquecimento global.

Mas,como acontece em outros lugares, sua península, aquela longa faixa de terra que se estende em direção à América do Sul, está esquentando rapidamente. Suas geleiras derretem e seu ecossistema está sendo invadido por microplásticos arrastados pelas correntes marítimas.

Há um fluxo de turistas. Para essa estação de verão austral espera-se que cheguem 40% a mais (cerca de 80.000 visitantes) do que no ano passado.

As visitas estão muito regulamentadas para evitar danos a esse território virgem. "A única coisa que tiramos são fotos, a única coisa que deixamos são as pegadas. A única coisa com que ficamos com nossas memórias", diz o slogan dos profissionais do setor de turismo.

No entanto, os mais críticos denunciam um "turismo de última hora", aquela ânsia de visitar destinos vulneráveis, como em Veneza ou na Grande Barreira de Corais, antes que seja tarde demais.

Outro perigo que paira sobre essa terra imaculada é o carbono expelido das chaminés dos navios, que acaba posando em superfícies geladas, acelerando seu derretimento.

Na ilha Meia Lua, os pinguins de barbicha, chamados assim pela mancha preta no queijo, se animam neste período de reprodução, cantando do alto de seus ninhos.

"É para indicar aos outros machos que esse é seu espaço e também que essa é sua fêmea", comenta uma ornitóloga.

A colônia de 2.500 integrantes está desaparecendo, assim como a neve sob o sol. Uma extinção causada pelo ser humano ou um simples traslado? Ninguém sabe.