Antônio Xerxenesky e Rita Carelli vencem Prêmio São Paulo de Literatura

Os vencedores do 15º Prêmio São Paulo de Literatura foram anunciados neste sábado (5). O gaúcho Antônio Xerxenesky venceu na categoria melhor romance do ano de 2021 com “Uma tristeza infinita” (Companhia das Letras). Já a paulistana Rita Carelli conquistou o prêmio de melhor romance de estreia do ano de 2021 com “Terrapreta” (Editora 34). O resultado foi publicado no Diário Oficial de São Paulo.

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Quarto romance de Xerxenesky, “Uma tristeza infinita” também concorreu ao Prêmio Candango de Literatura e é finalista do Jabuti. Protagonizado por Nicolas, um psiquiatra hipocondríaco que atende num sanatório suíço nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, o livro aborda temas como psicanálise versus antidepressivos, a culpa dos que silenciaram diante de ideologias totalitárias, os limites da ciência e a luta entre fé e razão.

— Saúde mental sempre me interessou. Não é aceitável que a depressão seja a marca de toda a classe média paulistana. Em qualquer roda de amigos, o assunto logo vira o antidepressivo que cada um está tomando. Todos têm uma figurinha engraçada de Rivotril no WhatsApp. Será que é normal todos saberem o nome de um medicamento tarja preta viciante? — disse Xerxenesky ao GLOBO no ano passado, por ocasião do lançamento do livro. — A depressão tem causas que vão além do balanço químico no cérebro. No Brasil, uma delas é a política.

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"Uma tristeza infinita" concorreu com romances elogiados como "O som do rugido da onça", de Micheliny Verunschk, "A extinção das abelhas", de Natalia Borges Polesso, e "A pediatra", de Andréa del Fuego, entre outros.

“Terrapreta”, de Carelli, acompanha a jornada de Ana, uma jovem paulistana de classe média que se muda para uma aldeia indígena do Alto Xingu. É lá que seu pai, um arqueólogo, procura pistas que comprovem a ocupação humana milenar da região. Ana, no entanto, se interessa mais pelo cotidiano da aldeia, com seus mistérios, seus ritos e seus códigos desconhecidos.

Carelli, que também é atriz, diretora de cinema e de teatro e ilustradora, disputou o prêmio com autores como Stênio Gardel ("A palavra que resta") e Fabiane Guimarães ("Apague a luz se for chorar").

O Prêmio São Paulo de Literatura é realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Os vencedores receberão R$ 200 mil cada um.