Antecedentes de pilotos suspeitos de causar acidentes intencionalmente

Um helicóptero leva investigadores ao local do acidente com o Airbus A320, da Germanwings, nos Alpes franceses, no dia 26 de março de 2015

Antes de Andreas Lubitz, copiloto alemão de 28 anos suspeito de ter provocado intencionalmente a queda do Airbus A320 da Germanwings, outros casos semelhantes foram registrados na história das catástrofes aéreas.

-- 29 de novembro, 2013: o piloto de um avião da companhia moçambicana LAM vira seu avião, um Embraer 190, propositadamente na direção do solo. O aparelho cai no nordeste da Namíbia. A aeronave havia decolado de Maputo, rumo à capital angolana Luanda, com 33 pessoas a bordo.

Segundo os resultados da investigação, o comandante se trancou na cabine do piloto, impedindo o copiloto de entrar, além de ignorar os sinais de alarme.

-- 31 de outubro, 1999: um Boeing 767 da EgyptAir cai no Atlântico, ao longo da costa do estado de Massachusetts (nordeste dos Estados Unidos), pouco depois de decolar de Nova York rumo ao Cairo. O episódio deixou 217 mortos.

A Agência americana de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês) concluiu que se tratou do suicídio do copiloto. A análise das caixas-pretas confirmou que ele estava sozinho no comando durante uma pausa do comandante de bordo, no momento em que o avião acabava de atingir sua velocidade de cruzeiro. Segundo o gravador que registrou as conversas, o copiloto teria feito uma curta prece: "eu me entrego a Deus". Logo depois, o piloto automático foi acionado e o avião desceu em picado.

As autoridades egípcias sempre refutaram essa teoria, enquanto a imprensa americana noticiou, na época, que o piloto estava com problemas financeiros.

-- 19 de dezembro, 1997: cerca de meia hora depois de decolar de Jacarta com destino a Cingapura, um Boeing 737 da companhia SilkAir mergulha em um rio e cai perto de Palembang, na ilha de Sumatra, deixando 104 mortos. Os investigadores americanos também concluíram que o piloto se suicidou. Neste caso, as caixas-pretas foram inúteis, porque foram desligadas antes do acidente. O Escritório de Investigação da Indonésia diz que não há nada que sustente essa versão.

Adotando a tese de suicídio, a imprensa declarou que o comandante de bordo havia acabado de sofrer uma sanção disciplinar, tinha sido rebaixado e sofria com muitas dívidas.

-- 21 de agosto, 1994: durante um voo Agadir-Casablanca, o piloto de um ATR-42 da Royal Air Maroc jogou deliberadamente seu aparelho no chão, nas montanhas do Atlas, deixando 44 mortos. A investigação concluiu que se tratou de suicídio, baseando-se nas últimas palavras da copiloto que se espantou com o fato de o comandante de bordo fazer manobras não condizentes com a regulamentação aérea. Ele lhe teria respondido "morrer, morrer...".

-- 9 de fevereiro, 1982: o piloto de um DC-8 da Japan Airlines joga sua aeronave em picado no momento de aterrissagem, perto de Tóquio, e cai, deixando 24 mortos. A investigação concluiu que se tratou de uma crise de "loucura suicida".

O suicídio do piloto também foi uma das hipóteses consideradas após o desaparecimento, em março de 2014, do voo MH370 da Malaysia Airlines, com 239 pessoas a bordo. Nesse caso, os sistemas de comunicação foram deliberadamente desativados, e o aparelho mudou de rota.