Antes de Azevedo, relembre militares que já passaram pelo governo Bolsonaro e acabaram exonerados

Filipe Vidon
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RIO - Após pressão do Congresso, o desgaste de Ernesto Araújo no posto de ministro das Relações Exteriores acabou concretizando sua demissão, anunciada na manhã desta segunda-feira. Horas depois, uma segunda mudança no alto escalão do governo federal acabou surpreendendo: o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também comunicou que vai deixar o cargo.

Fora do governo, o general agora integra uma longa lista de militares que foram demitidos pelo presidente Jair Bolsonaro ou acabaram pedindo exoneração. Em conflitos anteriores, militares ligados ao governo se chocaram com a “ala ideológica” e passaram por um processo de “fritura” interna, até serem substituídos por outros nomes.

Relembre alguns militares que deixaram o governo Bolsonaro:

General Santos Cruz

Em junho de 2019, Carlos Alberto dos Santos Cruz, que ocupava a Secretaria de Governo da Presidência da República, foi informado por Bolsonaro de sua demissão. A decisão foi atribuída a uma “falta de alinhamento político-ideológico” e embates com outros integrantes do governo. Em uma carta divulgada por Santos Cruz, o ex-ministro expôs que saiu por decisão do presidente.

Santos Cruz foi alvo de ataques virtuais coordenados, com a participação dos filhos do presidente, o chefe da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, e assessores ligados a Olavo de Carvalho. Na época, Santos Cruz era a terceira baixa em ministérios de Jair Bolsonaro - agora já são 12 - e sua ausência nutria a expectativa de que conflitos internos seriam cessados.

General Santa Rosa

Responsável pela chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), o general Maynard Marques de Santa Rosa pediu demissão em novembro de 2019. Interlocutores afirmaram que a saída se deu por divergências com o então ministro Jorge Oliveira, Secretaria-Geral da Presidência, órgão que engloba a SAE.

Quando entrou para o governo Bolsonaro, Santa Rosa era divulgado como alguém que faria a SAE voltar de fato a traçar estratégias para a formulação de políticas públicas de longo prazo para a presidência da República. Apesar disso, segundo pessoas próximas, antes de oficializar o pedido de demissão vinha se queixando da impossibilidade de trabalhar.

General Rêgo Barros

Um ano depois de entrar no governo Bolsonaro, Otávio Santana do Rêgo Barros, então porta-voz da Presidência da República, foi exonerado em outubro de 2020. Após uma mudança na estratégia de comunicação, quando o presidente passou a dar declarações diárias a jornalistas na porta do Palácio do Alvorada em detrimento dos briefings do porta-voz do Planalto, Rêgo Barros acabou “na geladeira” e teve seus poderes esvaziados ao decorrer de um ano. Além disso, o presidente recriou o Ministério das Comunicações, chefiado por Fábio Faria e a estrutura de comunicação do governo acabou deslocada.

"Diante de toda reestruturação da Comunicação do Governo, o cargo de porta-voz da Presidência da República será desativado em novo decreto a ser publicado nas próximas semanas", informou o texto, na ocasião.

Em artigo publicado no "Correio Braziliense" após a exoneração, Rêgo Barros fez uma série de críticas indiretas a Bolsonaro. Sem citar o nome do presidente, o ex-porta-voz disse que o poder “inebria, corrompe e destrói”. O antigo auxiliar criticou também auxiliares presidenciais que se comportam como “seguidores subservientes”.

General Eduardo Pazuello

Pressionado pelo Congresso por sua atuação no combate à pandemia da Covid-19, Eduardo Pazuello pediu demissão do cargo de ministro da Saúde. O aumento no número de casos e mortes por Covid-19 e o impasse da vacinação no país elevaram o desgaste do ministro. Pazuello chegou a divulgar cronogramas divergentes em relação à disponibilização de doses para vacinação no país.

General Floriano Peixoto

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Floriano Peixoto deixou o cargo em junho de 2019 para assumir o comando dos Correios. General da reserva do Exército, foi o quarto ministro do governo a deixar o cargo - e o segundo da pasta. O cargo foi ocupado por cerca de dois meses por Gustavo Bebianno, primeiro ministro exonerado do governo. Após Peixoto, teve Jorge Oliveira como chefe da pasta até dezembro do ano passado, quando foi indicado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

General Juarez Cunha

Terceiro militar demitido do governo, o então presidente dos Correios, Juarez Aparecido de Paula Cunha, foi exonerado após 17 baixas no segundo escalão, ainda em junho de 2019. Segundo Bolsonaro, o militar saiu devido a uma visita à Câmara, convidado por partidos da oposição. Para o presidente, ele se comportou como um sindicalista na ocasião e posou para fotos com deputados do PT e do PSOL.