Antes das festas, aeroporto de SP tem dia mais movimentado

DHIEGO MAIA
**ARQUIVO** Guarulhos, SP, 19-12-2019: Movimento de passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. Passageira aguarda com seus cães no terminal 2 de Cumbica. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Simba não para quieto. Lambe o rosto e se joga no colo dos desconhecidos que se aproximam. Mais cansados estão os irmãos Jack e Mogli.

Os cachorros da raça border collie aguardavam, na tarde desta quinta-feira (19), a liberação da companhia aérea para enfrentar a segunda etapa da viagem que começou em Alfenas (MG) e tem como destino Salvador (BA).

Marcelle Alonso Melo, 19, segura os três pela coleira, sentada no carrinho com suas malas, visivelmente cansada. "Viajar com cães é muito caro e burocrático. As vacinas precisam estar em dia e a caixa onde são transportados deve ser de um tamanho que eles consigam ficar em pé e se movimentar", diz.

O avião que decolou com os cães às 16h30 (horário de Brasília) foi um dos 911 voos previstos para esta quinta no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo).

Esse é o maior número de voos registrados no terminal num único dia deste mês de dezembro, segundo a concessionária GRU Airport, responsável pela gestão do espaço.

Entre pousos e decolagens, o terminal aeroportuário, considerado o maior da América do Sul, vai receber até as 23h59 cerca de 143 mil passageiros.

Mas esse volume deve ser ainda maior na sexta (20) ou na próxima segunda-feira (23). Segundo Miguel Dau, chefe de operações da GRU Airport, a estimativa é de que 145 mil passageiros passem por Cumbica em um dos dois dias. "Isso representaria um recorde para o aeroporto desde o começo de suas operações", diz.

O maior volume de passageiros já registrado até então ocorreu no dia 13 deste mês, quando o terminal recebeu 144.600 pessoas.

"O número de voos na sexta vai cair para 899, mas a taxa de ocupação deve passar com folga dos 90%. Hoje [quinta-feira], cerca de 85% dos assentos das aeronaves que decolaram ou pousaram em Cumbica foram ocupados", explica Dau.

Mas o que fez mais gente antecipar a viagem, faltando seis dias para o Natal? "O preço mais em conta das passagens", responde a professora de matemática Jussara de Fátima Carvalho, 38.

Ela, o marido, André, e a filha, Helena, 4, vivem na pequena Paraguaçu (MG) e vão passar o Natal em Porto Alegre (RS). A professora contou com a ajuda da sogra, que pesquisou com antecedência e conseguiu bilhetes por R$ 300.

"Meu marido até antecipou o recesso dele quando soube do preço da passagem", conta.

O chefe de operações de Cumbica também vê na grande procura por voos nessa época do ano um sinal de recuperação da economia.

Os voos domésticos correspondem a 80% do fluxo aéreo e de passageiros de Cumbica.

Foi o que fez a família Maciel, de Santo André (Grande São Paulo). O casal de aposentados Manoel Carlos, 79, e Maria Arlete, 71, viajaram nesta quinta com três filhas, genros e netos --13 pessoas no total--, para Fortaleza (CE).

Estão no roteiro as praias de Jericoacoara e Canoa Quebrada. "Não tem alegria melhor do que passar essa época do ano com a família reunida num lugar tão bonito", diz o aposentado.

A família chegou duas horas antes do voo para evitar filas e imprevistos mas também para fazer o genro Evandro Lopes, 43, se acostumar com a ideia de voar. "Tenho muito medo de avião", disse ele.

Quem aguardava ansiosa pelo voo para Belém (PA) era a diretora financeira Tatiana Rêgo, 45. Ela morou por um ano em São Paulo para tratar cálculos que levaram seus rins a pararem de funcionar.

Presa a uma máquina de hemodiálise, Rêgo decidiu voltar para casa quando soube que uma amiga que reside na capital paraense se propôs a doar o órgão de que ela precisa para voltar a viver com qualidade. "Agora é fazer os exames para saber se ela é compatível. É um ato de amor o que estou recebendo", afirma.

Apesar do volume de voos, o aeroporto de Cumbica não registrou problemas quando a reportagem esteve no local.

De acordo com a GRU Airport, o terminal se organiza para comportar situações variáveis, com fluxo de passageiros e voos acima da média --hoje de 120 mil pessoas e 830 partidas e decolagens diárias.

O saguão do terminal 2, que responde por 70% das operações de embarque e desembarque, não teve tumultos ou filas. Por volta das 16h, um voo havia sido cancelado. Outros 13% estavam atrasados.

Multidão para Silvana Pereira, 55, representa trabalho. Auxiliar de limpeza de uma empresa terceirizada, ela diz que a demanda pelo serviço de varrição e coleta de lixo dobra. Ela só não espera recolher outra vez um objeto improvável: uma muleta.

"Acho que o passageiro recebeu um milagre e deixou a muleta no chão. Como esquecer isso se está doente?", diz, e ri.