Antes de apuração, diretor de Departamento de Homicídios diz que 'não houve execução' em operação que matou 25

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Una mancha de sangre cubre el piso de una casa luego de un operativo de la policía el jueves 6 de mayo de 2021 en la favela de Jacarezinho, en Río de Janeiro. (AP Foto/Silvia Izquierdo)
Uma mancha de sangue cobre o chão de uma casa luego de um agente da polícia no dia 6 de maio de 2021 na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. (AP Photo / Silvia Izquierdo)
  • Antes de apuração, Roberto Cardoso, diretor de Departamento de Homicídios, diz que 'não houve execução' em operação

  • Para ele, a prova da legalidade na atuação dos agentes é a morte do policial André Frias, 48, única vítima da operação que teve identidade revelada pela Polícia Civil

  • Nesta sexta-feira (7), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma lista com os nomes das 15 primeiras vítimas identificadas

O delegado Roberto Cardoso, responsável pelo departamento que vai investigar as 24 mortes de civis provocadas durante operação da Polícia Civil na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, afirmou apenas algumas horas depois das ocorrências desta quinta-feira (6) que “não houve execução”.

Segundo ele, que é diretor-geral do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, a prova da legalidade na atuação dos agentes é a morte do policial André Frias, 48, única vítima da operação que teve identidade revelada pela Polícia Civil.

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“A prova cabal de que a Polícia Civil não entra para executar e é necessário que haja um revide é o falecimento do nosso policial. Como foi relatado aqui, no início da incursão o nosso policial foi alvejado e foi morto. Isso é a prova cabal de que não houve execução e houve sim uma necessidade real de um revide a uma injusta agressão”, disse Cardoso.

Nesta sexta-feira (7), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma lista com os nomes das 15 primeiras vítimas identificadas do massacre de ontem na comunidade do Jacarezinho. Para se ter ideia, foram as primeiras informações sobre as vítimas.

A comissão acompanhava na manhã desta sexta-feira (6) a liberação dos corpos das vítimas do massacre, entre eles, um jovem de 18 anos e outro de 19. Segundo a comisssão, todos eram homens e 10 deles tinham entre 18 e 30 anos. A Polícia Civil, no entanto, ainda não informou o nome dos mortos e não tinha começado a fazer as autópsias até as 11h desta sexta-feira.

Mas, para Cardoso, já é possível concluir que o massacre se deu em "legítima defesa". Sem que fosse questionado sobre o tema na coletiva de imprensa, que aconteceu horas após a divulgação das mortes na operação, o delegado pediu a palavra para responder se havia possibilidades de ocorrência de execuções extralegais na operação.

“Queria só acrescentar aqui quanto à pergunta se houve execução ou não. Deixar claro que a Polícia Civil não entra em comunidade nenhuma ou em nenhum lugar para praticar execução. A Polícia Civil entra para cumprir mandados de prisão, deferidos pela Justiça, dentro da legalidade, baseado em investigação policial, inquérito policial, dentro da total legalidade. Não fosse isso, o Poder Judiciário não decretaria essas prisões”, disse ele.

“Então, a ação é legítima desde o início até o final dentro de total legalidade”, disse Cardoso.

Veja quem são as vítimas identificadas pela OAB:

  • Raí Barreto de Araujo, 19 anos

  • Romulo Oliveira Lucio, 20 anos

  • Mauricio Ferreira da Silva, 27 anos

  • Jhonatan araujo da Silva, 18 anos

  • John Jefferson Mendes Rufino da Silva, 30 anos

  • Wagner Luis de Magalhaes Fagundes, 38 anos

  • Richard Gabriel da Silva Ferreira, 23 anos

  • Marcio da Silva, 43 anos

  • Francisco Fabio Dias Araujo Chaves, 25 anos

  • Toni da Conceição, 30 anos

  • Isaac Pinheiro de Oliveira, 22 anos

  • Cleiton da Silva de Freitas Lima, 27 anos

  • Marcio Manoel da Silva, 31 anos

  • Jorge Jonas do Carmo, 31 anos

  • Carlos Ivan Avelino da Costa Júnior, 32 anos

Andamento da investigação preocupa OAB

O andamento da investigação do caso é uma das preocupações da Defensoria Pública e da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

“Vamos exigir perícia independente neste caso. Não é possível que a Polícia Civil investigue a si mesmo numa chacina dessa dimensão”, disse Nadine Borges, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

A Defensoria Pública afirmou que alguns dos locais em que ocorreram as mortes na favela do Jacarezinho foram desfeitos antes da realização de perícia da Divisão de Homicídios.

Operação mais letal da história do Rio de Janeiro

De acordo com o estado do Rio de Janeiro, a operação foi montada para o cumprimento de 21 mandados de prisão de acusados de aliciamento de menores para o tráfico de drogas.

Três mandados foram cumpridos e outros três alvos foram mortos, além de outros três presos em flagrante. O resultado: a operação desta quinta-feira (6), realizada pela própria Polícia Civil, foi a mais letal na história do Rio de Janeiro.

Desde o início da manhã desta quinta (6), moradores relatam intensos tiroteios e veículos blindados e helicópteros da corporação transitando pela favela — tida pela polícia como um dos principais locais de atuação da facção criminosa Comando Vermelho.

Vídeos com sons de rajadas de tiros e explosões foram registrados por moradores da comunidade, que relatavam também a impossibilidade de deixar o local.

De acordo com o G1, uma noiva com o casamento marcado para esta quinta-feira ficou presa em casa, assim como uma mulher grávida com cesariana agendada também para esta manhã.

Dois passageiros do metrô foram feridos na operação, mesmo estando dentro de uma das composições. Um deles foi atingido de raspão, no braço, por um projétil, enquanto o outro sofreu lesões causadas por estilhaços de vidro. Ambos foram encaminhados para o Hospital Municipal Salgado Filho.

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