Antes de pedido de propina, Dominguetti e comparsa comemoravam venda de vacina: “Últimos dias de pobre”

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Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Luiz Paulo Dominguetti teve celular apreendido pela CPI da Covid. Aparelho passou por perícia (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Dominguetti comemorou com interlocutores a negociação de vacinas contra a covid-19 com o Ministério da Saúde

  • Cabo da PM trocou mensagens contanto com o dinheiro mesmo antes de encontro em que representantes do Ministério teriam pedido propina

  • Mensagens estavam em celular de Dominguetti, apreendido pela CPI da Covid

Mesmo antes do pedido de propina denunciado por Luiz Paulo Dominguetti, o intermediário já comemorava com amigos os valores que receberia pela venda da suposta vacina, negociada pela Davati.

Mensagens que estavam no celular de Dominguetti, apreendido pela CPI da Covid, revelam que o cabo da PM já tinha planos sobre o que fazer com o dinheiro que ganharia pela intermediação.

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“Bora reservar o jaguar e uma casa em Brasília. kkkkk…”, escreveu Dominguetti para um contato chamado “Amauri Vacinas Embaixada”. O conteúdo da troca de mensagens foi revelado pela revista Veja.

Amauri, então, responde que não quer um Jaguar, mas outro carro de luxo, e envia uma foto do modelo. As mensagens teriam sido enviadas no dia 15 de março, dias antes do encontro entre Dominguetti e o ex-diretor de Logística, Roberto Dias.

Em outra troca de mensagens, “Andrei Compra Vacina” já comemorava a conquista do grupo: “Últimos dias de pobre! Kkk”.

Mensagens sem sigilo 

Na última terça-feira (6), o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu levantar o sigilo do conteúdo do celular de Luiz Paulo Dominguetti. O cabo da Polícia Militar de Minas Gerais depôs à comissão na semana passada e ofereceu o aparelho de forma voluntária para perícia.

O pedido foi feito pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). "No último dia 1º de junho, essa CPI ouviu o sr. Luiz Paulo Dominguetti. Como é de conhecimento de todos, o depoente, naquela ocasião, se dispôs a oferecer a este comissão todas as informações para ajudar o país a resolver a questão das vacinas. Ato contínuo, o senador Randolfe Rodrigues, no exercício da presidência, determinou a apreensão do celular do senhor Dominguetti, o que foi feito pela Polícia Legislativa do Senado Federal. Nós recebemos o conteúdo dessa apreensão e o conteúdo está rotulado como sendo sigiloso", explica o questão de ordem.

Carvalho argumenta que, como o celular foi oferecido de forma voluntária à CPI, sem qualquer restrição, o material deveria ser revelado. O conteúdo destacado seria a troca de mensagens entre Dominguetti e Cristiano Carvalho, representante da Davati no Brasil.

O pedido foi deferido por Omar Aziz. Com isso, as conversas entre Dominguetti e Cristiano Carvalho serão tornadas públicas.

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