Antes de encontrar Bolsonaro, líder da Guiné-Bissau negou extraditar militar acusado de narcoterrorismo

·3 minuto de leitura
BRASÍLIA, DF, 24.08.2021 – JAIR-BOLSONARO – Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), recebe visita do presidente da república da Guiné-Bissau, General Umaro Sissoco Embalo, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF, nesta terça-feira 24.  (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 24.08.2021 – JAIR-BOLSONARO – Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), recebe visita do presidente da república da Guiné-Bissau, General Umaro Sissoco Embalo, no Palácio do Planalto, em Brasília, DF, nesta terça-feira 24. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Antes de embarcar ao Brasil para um encontro com Jair Bolsonaro, o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, negou a extradição de um militar de seu país acusado pelos EUA de narcoterrorismo.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA anunciou recompensa de US$ 5 milhões por informação que "leve à prisão e condenação de António Indjai", ex-chefe das Forças Armadas guineenses.

De acordo com o órgão responsável pela diplomacia americana, em nota, Indjai "liderou uma organização criminosa que teve papel de destaque no tráfico de drogas na Guiné-Bissau e na região por muitos anos, mesmo enquanto serviu como chefe das Forças Armadas". A Casa Branca diz, ainda, que o ex-chefe militar usava "recursos ilegais para corromper e desestabilizar outros governos estrangeiros".

Na segunda-feira (23), antes de sair de sair da capital Bissau em voo da FAB (Força Aérea Brasileira) para o Brasil, Embaló afirmou, em fala transmitida por uma TV local, que seu governo não pretende entregar Indjai aos americanos e que eventuais crimes devem ser analisados pela Justiça do país africano.

"Se António [Indjai] fez o que disseram que fez, se o provarem, podemos julgá-lo aqui. Ele é livre para se movimentar em todo o território nacional. O que os americanos disseram tem validade na América, mas não aqui", disse o líder africano, segundo a Deutsche Welle, empresa pública alemã de comunicação. "E não é só António Indjai. Nenhum cidadão será capturado aqui para ser julgado noutro país."

De acordo com o anúncio de recompensa do Departamento de Estado dos EUA, Indjai é alvo de duas acusações formais na Justiça americana. Em uma delas, agentes disfarçados da DEA (Drug Enforcement Administration, a agência norte-americana antidrogas) atuaram como representantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e iniciaram negociações com Indjai e auxiliares na Guiné-Bissau.

"Entre junho e novembro de 2012, Indjai concordou em receber e armazenar toneladas de cocaína supostamente de propriedade das Farc, quantidade que ele entendia que seria vendida para o benefício das Farc. Indjai e outros conspiradores concordaram em comprar armas, inclusive mísseis antiaéreos, para as Farc, usando para tanto recursos da venda de drogas e estabelecendo uma empresa de fachada na Guiné-Bissau para completar a transação ilícita de armas", afirmam as autoridades americanas.

O militar foi acusado nos EUA de conspiração para o narcoterrorismo; conspiração para importação de cocaína; conspiração para fornecer apoio material a organização terrorista estrangeira; e conspiração para compra de mísseis antiaéreos. No aeroporto na Guiné, Embaló afirmou ainda, segundo a agência Lusa, que os EUA "não têm o direito de colocar a cabeça de Indjai a prêmio porque ele não é terrorista".

O presidente africano deve permanecer uma semana no Brasil. Nesta terça (24), encontrou-se com Bolsonaro -de quem é admirador declarado- e participou de almoço no Itamaraty. Ele tenta também ser recebido pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Devido à admiração pelo presidente brasileiro, Embaló, que também é militar, foi apelidado de "Bolsonaro da África". O próprio Bolsonaro usou o apelido para anunciar a visita oficial de Embaló, em conversa com apoiadores no mês passado. Na ocasião, ele não se lembrou do nome do convidado nem de seu país.

Na Guiné-Bissau, Embaló, 48, é criticado devido à indicação de militares para postos-chave da estrutura do Estado, em detrimento de servidores civis, e por apoiar a repressão policial contra uma greve de professores e profissionais de saúde. O africano também defende uma reforma da Constituição do país, o que, segundo opositores, tem como objetivo a concentração de poderes nas mãos do presidente.

O autoritarismo do líder guineense faz com ele seja acusado de tentar implementar uma ditadura.

Embaló também deve passar por São Paulo e pelo Rio de Janeiro. Na capital paulista, ele tem encontro programado com o governador João Doria (PSDB) e uma visita ao Museu da Língua Portuguesa. No Rio, deve realizar reuniões com altos funcionários da Marinha.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos