Antes de reagir e ser morto em assalto, jovem se ajoelhou e disse não ter nada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O jovem Renan Silva Loureiro, 20 anos, ajoelhou-se e afirmou "por favor, eu não tenho nada", logo após ser abordado por um falso entregador, em uma motocicleta. O crime ocorreu por volta das 22h30 da última segunda-feira (25), no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Ele foi morto em seguida, com um tiro na cabeça.

O áudio e a cena constam em um novo vídeo divulgado pela polícia nesta quarta-feira (27).

Logo após a súplica, o rapaz parte para cima do criminoso ao vê-lo abordar a namorada dele, de 19 anos. O bandido atira quatro vezes. Somente o último disparo atinge Loureiro, na cabeça, de cima para baixo, de acordo com perícia policial —as informações iniciais davam conta de que ele havia sido atingido pelos quatro tiros. A vítima morreu no local.

A polícia identificou o suspeito, de 23 anos, no fim da tarde desta quarta (27). Investigadores foram até a residência dele, na região de Americanópolis, na zona sul, onde apreenderam a provável arma usada no crime, além da mochila de entregador utilizada pelo criminoso.

Até a publicação desta reportagem, ele não havia sido detido.

O bandido, de acordo com o delegado Glaucus Vinicius Silva, do 35º distrito policial (Jabaquara), usou uma moto Honda XRE azul, sem placas, para realizar o latrocínio —roubo seguido de morte— levando os celulares do casal.

"Um fato que já podemos afirmar: o criminoso não é da região onde aconteceu o crime. Já identificamos uma área onde ele pode estar e o perímetro está fechado, por investigadores", afirmou o policial, sem dar mais detalhes, para não prejudicar a investigação.

A polícia conta com um estudo sobre o modo de ação de criminosos, por regiões da capital paulista, segundo o delegado. De acordo com o levantamento, os que atuam no Jabaquara são mais discretos, evitando abordagens violentas. Isso contribuiu para que a provável região de origem do falso entregador fosse identificada, onde há registros de comportamentos violentos semelhantes.

O delegado do 35º DP acrescentou que, por ora, o crime é investigado como latrocínio. Porém, a dinâmica do delito, captado por ao menos três câmeras de monitoramento, pode mudar os rumos da natureza jurídica do caso.

"O criminoso é frio, com um completo desrespeito à vida. Ele o tempo todo teve controle da situação e não se deixou levar por afobação, ou adrenalina", avaliou o delegado.

O policial afirmou que pretende desmembrar o caso, registrando-o como roubo, pelo fato de o criminoso ter levado os celulares das vítimas, e homicídio, separadamente. "Os tiros foram dados com intenção de matar, não foi um latrocínio, foi um assassinato", ressaltou.

A eventual mudança jurídica da ocorrência pode ocorrer, acrescentou o delegado, para que o criminoso, caso preso, seja submetido a um júri popular.

As câmeras mostram Renan Silva Loreiro e a namorada caminhando abraçados em uma calçada da rua Freire Farto.

Alguns metros adiante, ambos são abordados pelo falso entregador. O criminoso dá um tiro ao alto. O jovem ajoelha e entrega o celular, afirmando não ter mais nada, segundo registrado por uma das câmeras da rua.

O rapaz, em seguida, parte para cima do criminoso, quando o ladrão vai em direção à namorada da vítima. De acordo com análises preliminares da Polícia Técnico-Científica, a arma usada pelo criminoso foi um revólver calibre 38.

Ao fugir, registros de câmeras mostram o ladrão subindo pela rua Governador Jorge Lacerda. Quando ele percebe a presença de uma viatura da Polícia Militar fazendo ronda na via, o falso entregador faz um retorno e foge, usando a rua onde ocorreu o crime.

Em razão da gravidade do crime e repercussão, o governador Rodrigo Garcia (PSDB) solicitou que o novo delegado-geral da Polícia Civil, Osvaldo Nico Gonçalves, fosse até o local do crime, para averiguar o que aconteceu.

Paulistanos têm sido vítimas de furtos e roubos de celulares por criminosos em motocicletas, fingindo ser entregadores de serviços de aplicativos, ou ainda usando bicicletas. ​

O primeiro trimestre de 2022 registrou um aumento no número de furtos e roubos no estado de São Paulo, na comparação com o mesmo período do ano passado. Com isso, o patamar dos dois crimes se aproxima do registrado antes do início da pandemia de Covid-19.

Segundo os dados oficiais divulgados na última segunda (25) pela SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), São Paulo registrou 132.782 furtos no primeiro trimestre do ano.

Isso representa uma alta de 28,5% em relação aos primeiros três meses de 2021 e de 7% na comparação com 2020 —a pandemia foi declarada em março daquele ano. Na relação com o mesmo período em 2019, antes do início da crise sanitária, houve uma diminuição de 2,7%.

Na capital paulista, ainda segundo dados da SSP, o número de latrocínios se manteve estável no primeiro trimestre deste ano, com 17 casos, em relação ao período do ano passado, com 16.

O aumento da criminalidade, segundo especialistas ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, ratifica um aumento da sensação de insegurança da população. ​

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