Antes rejeitadas, a vacina da Pfizer e a CoronaVac são as principais esperanças para o início da imunização no Brasil

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Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
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Em outubro, depois de desautorizar publicamente o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e vetar o protocolo de intenções da pasta para a compra da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi enfático, em entrevista à rádio Jovem Pan: “Da China nós não compraremos. É uma decisão minha. Já existe um descrédito da população (com relação à China) pelo vírus ter nascido lá. Existem outras vacinas mais confiáveis e está encerrado esse assunto”.

No início de dezembro, o secretário de Vigilância em Saúde do governo federal, Arnaldo Medeiros, sem citar o nome de qualquer imunizante, afirmou que a pasta desejava uma vacina "preferencialmente" armazenável em temperaturas de 2 a 8°C, o que deixaria a da Pfizer no fim da fila, já que ela tem de ser guardada a -70°C. Mas nesta quarta-feira (16), as duas fórmulas antes rejeitadas se tornaram as principais esperanças de um início em breve da imunização em massa no país.

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O governo federal apresentou nesta quarta-feira o seu plano de operacionalização da imunização. Nele, são citadas sete iniciativas na lista de “adesão do Brasil às vacinas”. Destas, as que estão mais perto de obter autorização para uso emergencial são justamente a CoronaVac e a da Pfizer. O imunizante da Sinovac já está sendo produzido, desde a semana passada, no Instituto Butantan, em Sâo Paulo. E a Pfizer submeteu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dados da fase III de ensaios clínicos do seu imunizante contra Covid-19, que já está sendo aplicado na Inglaterra, no Canadá e nos Estados Unidos.

O envio dos dados foi feito por meio do processo de submissão continuada aberto pela agência. Apesar da submissão desses dados, que são a etapa final da pesquisa, a farmacêutica não entrou com pedido de autorização emergencial de uso ou pedido de registro.

Durante o evento de apresentação do plano de imunização, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, questionou a grande expectativa pela data de início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil:

— Nós somos os maiores fabricantes de vacinas da América Latina. Para que essa ansiedade, essa angústia? Nós somos referência na América Latina.

O ministro afirmou que todas as vacinas que estiverem à disposição no Brasil contra a Covid-19 serão do Plano Nacional de Imunização (PNI), gerenciado pela pasta por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), “sem exceção”. Em seguida, ele assinalou que os imunizantes serão incorporados ao SUS.

— Todas as vacinas que estiverem no Brasil serão do Plano Nacional de Imunização, sem exceção. E isso já está muito bem pacificado e acordado com todos os entes da federação. E isso representa o que tenha chegado importado de outros países, vai ter que aguardar o registro, vai ter que aguardar a homologação e vai ser incorporado ao SUS — disse Pazuello.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), presente ao evento, declarou que era um momento de “entendimento” e de “paz”.

— Se alguns de nós extrapolou ou até exagerou, foi no afã de buscar solução — afirmou Bolsonaro, que disse torcer para um breve retorno à normalidade: — Nesse momento de entendimento, de paz, é que eu cumprimento a todos. Se Deus quiser, brevemente estaremos na normalidade.

Após a apresentação, Pazuello se reuniu com governadores. Wellington Dias (PT), do Piauí, afirmou que o ministro acertou procedimentos que viabilizam o início da vacinação até 21 de janeiro de 2021. Presidente do Consórcio Nordeste, Dias disse que o ministério prevê a assinatura de contratos que permitam o início da imunização até essa data. Já o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), revelou que o contrato que formaliza a compra da CoronaVac será assinado ainda nesta semana pelo governo federal.