Antes de revelação sobre minuta, Bolsonaro disse em última live sobre eleições: 'Busquei saída dentro das quatro linhas'

Em seus poucos discursos após a derrota, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou no ar algumas vezes que havia tentado interferir no resultado eleitoral que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essas falas de Bolsonaro ganham novos contornos após vir à tona que a Polícia Federal (PF) apreendeu na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres uma minuta de decreto presidencial viabilizando uma intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que teria potencial para alterar o resultado da eleição.

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No dia 9 de dezembro, na primeira vez em que discursou com seus apoiadores após a derrota, em frente ao Palácio do Planalto, o ex-presidente adotou um tom vago e ambíguo. Pedindo para seus eleitores se manterem esperançosos, ele falou em “mudar o futuro” da nação e “buscar alternativas”.

— Nós temos como mudar o futuro da nossa nação. Com o mesmo ingrediente ninguém pode fazer um bolo diferente. Desse ingrediente que temos agora pela frente nós já sabemos lá atrás o que aconteceu. Vocês também estão aqui, não é por mim. É pelo país de vocês.(...) O que eu digo a vocês, vamos acreditar, vamos nos unir, criticar só quando tiver certeza, buscar alternativas — disse.

Ainda no mesmo discurso, Bolsonaro disse que as coisas dariam certo “no momento oportuno”, o que foi lido como mensagem cifrada por sua base de que alguma atitude estaria por vir.

— Vamos vencer, se manifestando de acordo com as nossas leis, vocês são cidadãos de verdade. Está na hora de parar de ser tratado como outra coisa aqui no Brasil. Acredito em vocês, vamos acreditar em nosso país. Se Deus quiser tudo dará certo no momento oportuno.

Saída dentro das 'quatro linhas'

A dois dias de deixar o poder, Bolsonaro fez um pronunciamento nas redes sociais e, após se defender de críticas e chorar, falou pela primeira vez sobre a vitória de Lula. Ao se referir a posse do presidente eleito, ele afirmou que tinha buscado “saída” e “uma alternativa” dentro das “quatro linhas” da Constituição.

— Está prevista a posse agora dia 1º de janeiro. Eu busquei, dentro das quatro linhas, dentro das leis, respeito à Constituição, saída para isso daí. Se tinha uma alternativa para isso. Se a gente podia questionar uma coisa ou não questionar alguma coisa. Tudo dentro das quatro linhas.

Na sequência, deu a entender que não teve apoios necessários para dar sequência a uma reação ao resultado das urnas.

— Agora, muitas vezes, dentro das quatro linhas, você tem que ter apoios. Alguns acham que é “pega a (caneta) Bic, assine, faça isso, faça aquilo” e está tudo resolvido. Eu entendo que eu fiz a minha parte, estou fazendo até hoje a minha parte. Estou fazendo até hoje a minha parte. Hoje são 30 de dezembro. Até hoje eu fiz a minha parte dentro das quatro linhas. Agora, certas medidas têm que ter apoio do Parlamento, de alguns do Supremo, de outros órgãos, de outras instituições.