Antes de sancionar socorro a estados, governo finaliza MP que dá reajuste a policiais do DF

Manoel Ventura
Nuvens sobre o Palácio do Planalto, em Brasília

BRASÍLIA — O governo federal está finalizando uma medida provisória (MP) para viabilizar o aumento a policiais e bombeiros do Distrito Federal antes da sanção ao projeto de ajuda a estados e municípios, que traz como contrapartida o congelamento salarial dos servidores por 18 meses.Os técnicos do Ministério da Justiça também trabalham em um decreto para contratação de 180 policiais para a Polícia Rodoviária Federal, aprovados em concurso em 2018. O projeto de socorro a estados também proíbe novas contratações permanentes até 2021.Antes da sanção, o Senado também deve votar uma MP que cria cargos de confiança e reajuste os salários da cúpula da Polícia Federal.O presidente Jair Bolsonaro tem até a próxima quarta-feira para assinar a lei. Em reunião na semana passada, ele conseguiu apoio dos governadores para vetar a permissão para aumento de servidores. Porém, a tendência é autorizar o aumento para o Distrito Federal antes de proibir outros reajustes.O Congresso já aprovou e o presidente sancionou projeto que autoriza, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a recomposição salarial para policiais e bombeiros do DF, cujas folhas são custeadas pelo Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). O aumento tem impacto orçamentário de R$ 505 milhões.O reajuste foi um pedido do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a Bolsonaro e tem sido negociado com o governo desde o início do ano. A polícia do Distrito Federal é a mais bem paga do Brasil.Para os militares, policiais e bombeiros, as remunerações vão hoje de R$ 1.498,95 até R$ 7.279,17. Com o aumento, passariam a ser de R$ 1.873,69 a R$ 9.098,96. A polícia do Distrito Federal é a mais bem paga do Brasil.Já o salário de agente da Polícia Civil, que hoje vai de R$ 8.698,78 a R$ 13.751,51, ficaria em R$ 9.394,68 a R$ 14.851,63. E a remuneração dos delegados, hoje de R$ 16.830,85 a R$ 22.805,00, passa a ser de R$ 18.177,32 a R$ 24.629,40.O socorro a estados e município prevê transferência de R$ 60 bilhões aos governos regionais por conta da pandemia do novo coronavírus. A suspensão de dívidas com a União e bancos sobe o impacto positivo da proposta para R$ 125 bilhões.Com o atraso, os estados podem só receber os recursos em junho, o que ajuda a complicar as contas locais, impactadas pela crise do coronavírus. Técnicos afirmam que deve ser difícil liberar o dinheiro ainda em maio, como queriam os governadores.