Antes sinal de policial de elite de SP, boina é liberada para toda tropa da PM

SÃO PAULO, SP, 27.07.2022 - POLÍCIA-MILITAR - O Comando da Polícia Militar de São Paulo adotou a boina cinza como parte do uniforme oficial de toda a tropa. Antes da mudança, o equipamento era de uso restrito, permitida apenas para integrantes de unidades consideradas de elite. A lista inclui a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e o COE (Comandos e Operações Especiais), além da Força Tática e Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). A Corregedoria, por sua vez, utiliza boina na cor azul. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 27.07.2022 - POLÍCIA-MILITAR - O Comando da Polícia Militar de São Paulo adotou a boina cinza como parte do uniforme oficial de toda a tropa. Antes da mudança, o equipamento era de uso restrito, permitida apenas para integrantes de unidades consideradas de elite. A lista inclui a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e o COE (Comandos e Operações Especiais), além da Força Tática e Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). A Corregedoria, por sua vez, utiliza boina na cor azul. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Comando da Polícia Militar de São Paulo adotou a boina cinza como parte do uniforme oficial de toda a tropa.

Antes da mudança, o equipamento era de uso restrito, permitida apenas para integrantes de unidades consideradas de elite. A lista inclui a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e o COE (Comandos e Operações Especiais), além da Força Tática e Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia). A Corregedoria, por sua vez, utiliza boina na cor azul.

A maior parte dos policiais, assim, utilizavam um chapéu cinza com duas pontas e uma faixa quadriculada conhecido como bibico. Agora, eles devem ser substituídos pela boina cinza —alguns policiais do patrulhamento de rua convencional já estão utilizando o novo modelo.

Segundo a PM, a modificação é parte da modernização dos equipamentos. A ordem de serviço sobre a alteração foi publicada em maio.

A instituição, no entanto, não informou o valor gasto com a aquisição da nova vestimenta e disse que ela não representa custo adicional, já que os antigos bibicos já seriam subsutituídos por modelos novos de qualquer maneira. Atualmente, a PM de São Paulo tem cerca de 90 mil agentes.

"Tal cobertura foi tecnicamente aprovada por proporcionar maior ostensividade à população, oferecendo aos policiais militares maior amplitude de visão durante as atividades do policiamento ostensivo, melhor conforto ao policial e melhor resistência a intempéries, sendo operacionalmente mais eficaz", diz trecho da nota encaminhada para a reportagem.

Conforme a PM, a boina possui resistência três vezes superior à das coberturas antigas, constituindo, em médio e longo prazo, economia com custeio na substituição das peças, além de facilitar o processo licitatório na aquisição dos uniformes.

A mudança na vestimenta é vista como retrocesso pelo coronel aposentado da PM José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança na gestão Fernando Henrique Cardoso. "A boina passa imagem de combate e pouco diálogo, quando estávamos avançando na conduta mais comunitária de mais proximidade e diálogo", afirmou ele.

"Contrariamente ao que muitos policiais imaginam, o aparato mais agressivo, usado por tropas tipo Rota e Bope, assustam o cidadão e não intimidam o infrator. Melhor que [as boinas] sejam restritas para uso pontual", disse.

Silva afirmou ainda que o uso da boina causa incômodo para o policial, e que o modelo utilizado anteriormente era mais leve.

Ex-comandante da Rota, o deputado estadual Coronel Telhada (PP) disse que a PM deveria ter outras prioridades. "A Polícia Militar tem que voltar os olhos dela para problemas de valorização da nossa tropa. Na saúde, na parte salarial, isso sim é o que interessa no momento."

O deputado defendeu ainda que o governo deveria tornar o uso da vestimenta opcional para os policiais que realizam o patrulhamento nas ruas. "Já que não sabe se põe boina, se põe boné, bibico, deixa a tropa descoberta no policiamento. É um trabalho a menos para o policial, um gasto a menos para o estado, e é uma preocupação a menos para a Polícia Militar."

Doutor em psicologia pela USP e tenente-coronel aposentado da PM, Adilson Paes de Souza, não crê que a alteração traga algum resultado nas ruas. "Na minha opinião não será isto que influenciará na atuação policial".

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