Antigos aliados, PSDB e MDB voltam a compor coligação presidencial após 20 anos

Com a aliança selada em torno da pré-candidatura a presidente da senadora Simone Tebet (MDB-MS), o PSDB se encaminha para pela primeira vez ocupar a vaga de vice na chapa do MDB, partido do qual nasceu. Se nas últimas décadas — até 2018, pelo menos — os tucanos se acostumaram a disputar as eleições como protagonistas, os emedebistas ganharam a pecha de “governistas” por não lançarem candidaturas próprias e aderirem aos governos eleitos.

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Desde a primeira eleição presidencial do país após a promulgação da Constituição, em 1989, os partidos passaram por diversos momentos de alianças e separações. Em 2002, por exemplo, as legendas chegaram a compor uma coligação presidencial com o então PMDB (o partido voltou a ser chamar MDB em 2017) ocupando a vaga de vice do candidato tucano José Serra. Já em eleições como de 1998 e 2006, os emedebistas optaram por manter a sigla neutra, liberando seus quadros para escolherem seus apoios.

Já em 2010 e 2014, os antigos aliados estiveram em posições opostas. Nas duas eleições o PSDB disputou e perdeu contra a chapa do PT de Dilma Rousseff em aliança com o PMDB de Michel Temer, que ocupou a vaga de vice.

Apesar de idas e vindas, a relação histórica entre MDB e PSDB é umbilical. Criado como continuidade ao partido de mesmo nome que fazia oposição à ditadura militar, o então PMDB nasceu como uma espécie de um partido "guarda-chuva" por abrigar diversas ideologias e grupos políticos. Dessa agremiação, nasceu em 1988 o PSDB, formado por um grupo de dissidentes como Mário Covas, Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso que racharam ruidosamente com o partido. Na época, FHC chegou a afirmar que sua ex-legenda representava “práticas políticas consideradas fisiológicas e clientelistas”.

No ano seguinte, os dois partidos lançaram candidatos próprios na disputa. Enquanto o PMDB lançou a candidatura de Ulysses Guimarães e o PSDB lançou Mário Covas. Entretanto, ambos fracassaram no pleito que elegeu Fernando Collor de Mello.

Após rivalizarem nas eleições, os partidos voltaram a se aproximar após o impeachment de Collor, quando passaram a compor juntos a base governista do mandato interino de Itamar Franco. Nas eleições seguintes, em 1994, o PMDB lançou aquele que seria seu último candidato próprio até 2018: Orestes Quércia. Porém enfraquecido politicamente, ele alcançou apenas a quarta posição na eleição vencida em primeiro turno por FHC.

Já no poder, o presidente tucano atraiu os peemedebistas para seu governo entregando algumas pastas ao partido, entre elas o Ministério da Justiça, indicado a Nelson Jobim. Assim, o PMDB aderiu a gestão de FHC, apesar de algumas alas do partido se manifestarem como oposição ao governo.

Esse racha no MDB ficou explícito na convenção nacional de 1998, quando o partido votou se deveria lançar uma candidatura própria ou apoiar a reeleição do então candidato do PSDB. De um lado a ala oposicionista que defendia lançar um nome para a disputa era liderada por nomes como Quércia, o senador Roberto Requião e Itamar Franco.

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Porém, eles foram derrotados pela ala governista da legenda liderada pelo então presidente da Câmara Michel Temer, além de nomes como Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha. A partir dali o PMDB deixou de lançar candidatos próprios até 2018 e aderiu a todos governos subsequentes.

Com FHC reeleito, os pemedebistas seguiram aumentando sua influência no governo e a aliança com os tucanos se formalizou em 2002, quando o partido indicou Rita Camata como candidata a vice-presidente na chapa de José Serra. Porém, eles acabaram derrotados pelo então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

Temer inverte antigos papéis

A derrota não impediu que o PMDB passasse já no ano seguinte a integrar a coalizão de apoio ao governo Lula, ocupando ministérios e cargos de seu governo. Enquanto isso, o PSDB se distanciava ao se tornar o então principal partido de oposição ao PT. Apesar disso, alas do PMDB seguiam defendendo uma posição independente ou se mantendo próximos aos tucanos.

Em 2006, os peemedebistas voltaram a optar por não lançar uma candidatura própria, nem apoiar qualquer candidatura à presidência. Assim, suas lideranças ficaram liberadas para apoiar Lula ou seu então concorrente, Geraldo Alckmin (PSDB), de acordo com seus próprios interesses eleitorais. "Cada um do PMDB pedirá votos pra Lula ou Alckmin", sentenciou Renan Calheiros (PMDB-AL), na época.

Já em 2010, após o PT e PMDB fecharem acordo para candidatura de Dilma Rousseff, indicando Michel Temer como vice, tucanos e peemedebistas passaram a atuar formalmente em campos opostos. A separação durou até 2016, quando os partidos voltaram a se alinhar ao apoiarem em peso o impeachment de Dilma Rousseff, levando Michel Temer a ocupar interinamente a presidência.

Os papéis então se inverteram e foram os tucanos que passaram a integrar a base do governo do PMDB e ocupar importantes pastas. Nomes como o atual presidente nacional do partido, Bruno Araújo, que atuou no Ministério das Cidades; e Aloysio Nunes, indicado ao Ministério das Relações Exteriores, integraram o governo Temer.

A relação entre as siglas voltou a ficar estremecida após virem à tona as delações de executivos da JBS contra o presidente, que provocaram a maior crise política de seu mandato. O PSDB chegou a ameaçar romper com seu governo na ocasião. Porém, mesmo com divisões internas, o partido acabou decidindo manter seu apoio a Temer.

Já nas eleições de 2018, diante de sua impopularidade, Temer decidiu não se candidatar. Porém, o PMDB, que desde 2017 havia se voltado a chamar MDB -— como em sua origem — resolveu lançar o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles como nome do partido para concorrer ao Palácio do Planalto. Já o PSDB voltou a lançar Geraldo Alckmin novamente.

Porém, ambos alcançaram votações pouco expressivas. Enquanto o tucano ficou em quarto lugar com 4,76% dos votos, Meirelles chegou apenas em sétimo, com 1,2% dos votos.

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