Antipetismo avança, e Lula tem menos votos em 18 estados na comparação com 2002 e 2006

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República com uma margem de 2,1 milhões de votos, na eleição mais apertada desde a redemocratização do país. Apesar da vitória, o desempenho do petista ficou muito aquém de 2002 e 2006. Segundo levantamento do GLOBO, Lula teve seu pior resultado em 18 estados neste segundo turno. O recorde negativo mostra a força do antipetismo pelo país, que será um desafio neste terceiro mandato.

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Em sua primeira eleição vitoriosa, Lula só não venceu o tucano José Serra em Alagoas. Cenário bem diferente do deste domingo, quando o presidente eleito obteve vantagem em 13 estados, metade da conquista de 20 anos atrás. Veja o mapa com a evolução dos votos de Lula no segundo turno:

Um dos símbolos da piora petista é o Rio. Em 2002 e 2004, Lula venceu com ampla vantagem: 78,97% e 69,69% dos votos válidos, respectivamente. Mas só conseguiu 43,47% no domingo, perdendo para o presidente Jair Bolsonaro (PL).

O estado virou um dos redutos bolsonaristas no país. Reconduziu Cláudio Castro (PL) para o Palácio Guanabara e elegeu nomes como Eduardo Pazuello (PL) para a Câmara dos Deputados — segundo mais votado no estado.

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O desgaste petista, porém, se dá especialmente no Norte do país. Apesar de vizinhos à região Nordeste, que garantiu a vitória de Lula, os estados do Norte deram as votações mais expressivas ao atual chefe do Executivo.

A aprovação do eleitorado a Bolsonaro se explica, sobretudo, pela aderência à política de armas defendida em seu governo. Como a região concentra disputas agrárias, o acesso ao armamento é tido como necessário para defender a posse de terras.

Quem se soma à lista dos que passaram a rejeitar Lula é Roraima. Foi no estado que o petista teve a sua maior derrota proporcional no domingo: ele conquistou apenas 23,92% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro teve uma ampla maioria 76,08%, seu maior percentual no segundo turno. Os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que nem sempre o estado foi antipetista. Em 2002, quando foi eleito para seu primeiro mandato, Lula saiu vitorioso por lá com 65,55%.

Na campanha à reeleição, Bolsonaro fez uma dobradinha com Antonio Denarium (PP), governador bolsonarista reconduzido ao cargo ainda no primeiro turno. Apesar da vitória expressiva, o estado tem pouco impacto no resultado final, já que é o menor colégio eleitoral do país.

Mesmo no Nordeste, seu reduto eleitoral, Lula já colheu resultados melhores. No Ceará, onde teve o apoio da governadora Izolda Cela (sem partido), cotada para a pasta de Educação, o petista foi de 82,38% dos votos válidos em 2006 para 69,97% neste domingo. O presidente eleito não contou com o engajamento do ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT) na campanha deste ano.

Outro caso é Pernambuco, sua terra natal. O estado deu uma vitória de 78,48% quando Lula disputou a reeleição, onze pontos a mais do que agora.