Anunciado como referência para coronavírus no Rio, Hospital Federal de Bonsucesso ainda não foi adaptado

Pedro Zuazo
A emergência do Hospital Federal de Bonsucesso tinha apenas dois médicos na terça-feira e estava sendo esvaziada

RIO - Dez dias após o representante do Ministério da Saúde no Rio, Marcelo Lamberti, anunciar o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) como referência na rede de hospitais federais do estado para atendimento a pacientes com o novo coronavírus, a unidade ainda não foi adaptada para a função. Um dos blocos do complexo hospitalar, que deveria ser preparado para receber apenas pacientes diagnosticados com a Covid-19, ainda abriga 70 pacientes internados com outras doenças. Segundo funcionários, há dois pacientes com suspeita de coronavírus isolados, em observação, na emergência.

Para fazer as transferências e adaptar o bloco, a direção da unidade esbarra na falta de recursos humanos. Em uma mensagem interna enviada esta semana, médicos do atendimento ambulatorial foram convidados a se apresentarem voluntariamente para atuar em outros setores, em caráter temporário, enquanto durar a pandemia. Até a tarde desta quinta-feira, a maioria dos funcionários não havia recebido os equipamentos de proteção individual (EPIs) que devem usar para se prevenir do contágio. Médicos e enfermeiros também se queixam de não terem recebido diretrizes por escrito sobre o atendimento às vítimas da Covid-19.

Para o diretor do corpo clínico do HFB, Julio Noronha, o hospital não está preparado para a pandemia.

- Se houvesse uma catástrofe como na Itália, só os leitos da emergência estariam livres para receber esses pacientes. O material de EPI chegou, mas não sabemos a quantidade e nem como se dará o fluxo de chegada dos pacientes - diz Noronha.

A proposta do Ministério da Saúde é que o hospital ofereça de 150 a 200 leitos para pacientes com Covid-19. No último dia 16, Marcelo Lamberti explicou que os leitos seriam de internação, com possibilidade de serem transformados em leitos de terapia intensiva de acordo com a necessidade dos pacientes. Na ocasião, o Ministério da Saúde informou ainda que estava reconvocando servidores federais cedidos para estados e prefeituras para reforçar as equipes médicas.

Lamberti, está afastado das suas funções desde a última sexta-feira, de acordo com uma portaria publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira. A portaria designa como substituto de Lamberti o superintendente estadual do Ministério da Saúde no Rio, Jonas Roza.

A notícia pegou de surpresa funcionários do hospital, que não foram informados sobre o motivo do afastamento do diretor. Médicos e enfermeiros que têm contato diário com o diretor estão temerosos de que ele tenha contraído o novo coronavírus.

O EXTRA/O GLOBO procurou o Ministério da Saúde, em Brasília, e o núcleo do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, mas não obteve respostas.