Anvisa abre investigação e suspende uso e importação da “nova cloroquina” de Bolsonaro

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  • Anvisa suspende uso e importação da proxalutamida

  • Sem eficácia comprovada, proxalutamida foi apontada pelo presidente Jair Bolsonaro como a "nova cloroquina"

  • Agência vai também investigar "possíveis infrações sanitárias" cometidas por importadoras da substância

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a importação e o uso de produtos contendo proxalutamida para fins de pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (2), por unanimidade, no colegiado do órgão. 

A Anvisa autorizou em julho o estudo sobre o medicamento. A suspeita é de que as importadoras tenham apresentado documentos inadequados ou falsos para conseguir liberar a importação.

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A Anvisa ainda determinou que a Gerência Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária instaure dossiê de investigação para analisar os produtos que têm a substância em sua composição. O objetivo é “mitigar o risco para os usuários”.

A agência vai investigar “possíveis infrações sanitárias” cometidas por importadores da proxalutamida na apresentação de documentos com o objetivo de “induzir a agência na anuência de importação irregular de medicamentos para uso em humanos”.

Depois da cloroquina e da ivermectina, a proxalutamida, sem eficácia comprovada por estudos contra a covid-19, foi exaltada pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Tem uma coisa que eu acompanho há algum tempo e nós temos que estudar aqui no Brasil. Chama-se proxalutamida. Já tem uns meses que isso aí, não está no mercado, é uma droga ainda em estudo e existe no Brasil de forma não comprovada cientificamente", afirmou Bolsonaro, em julho.

A substância é um bloqueador hormonal desenvolvido na China, usado em testes para tratamento do câncer de próstata.

Estudos com proxalutamida

Serviços de saúde que conduzem pesquisas científicas com a proxalutamida também serão notificados pela Anvisa. Em paralelo, será pedido à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) acesso às informações dos estudos conduzidos sobre a substância.

O Ministério Público Federal investiga um estudo para avaliar o uso da proxalutamida como tratamento para casos hospitalizados de covid-19 em um hospital militar no Rio Grande do Sul.

A pesquisa, que não foi aprovada pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), buscava avaliar se o tratamento com a droga era eficaz em pacientes hospitalizados graves com covid. 

Um dos responsáveis é o infectologista Ricardo Zimerman, que esteve na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado para defender o chamado "tratamento precoce", medicamentos comprovadamente sem eficácia para o tratamento da doença.

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