Anvisa alega que não recebeu informações completas sobre morte de voluntário

Ana Paula Ramos e Anita Efraim
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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) poderá dar aval a vacinas para Covid-19 que tiverem, no mínimo, 50% de eficácia caso não houver alternativas na pandemia. Em geral, a agência usa o padrão de 70% como critério mínimo de eficácia.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) poderá dar aval a vacinas para Covid-19 que tiverem, no mínimo, 50% de eficácia caso não houver alternativas na pandemia. Em geral, a agência usa o padrão de 70% como critério mínimo de eficácia.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alega que recebeu informações incompletas sobre caso do voluntário da Coronavac. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), o presidente da agência, Almirante Antônio Barra, afirmou que, como recebeu apenas informações de “efeitos adversos graves”, decidiu paralisar os testes por "precaução”.

Segundo laudo do IML, divulgado pela imprensa, a causa da morte foi suicídio. Mais cedo, o governo de São Paulo afirmou, em coletiva de imprensa, que era impossível relacionar o “evento adverso grave” que acometeu o voluntário do estudo clínico da Coronavac com o imunizante.

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O presidente da Anvisa comparou a situação ao uso do VAR (árbitro de vídeo), utilizado em jogos de futebol, para tirar dúvidas quanto à arbitragem.

"Pra nós, talvez o VAR não seja quadrado, ele seja redondo, simbolizando uma lente. Uma lente de aumento, para que no período em que o estudo esteja paralisado tudo seja devidamente esclarecido e não prossiga em sede de dúvida. Não é brincadeira, senhores, o que estamos tratando aqui. Não é brincadeira atestar que uma vacina pode ser dada a uma pessoa. Isso não pode ser feito em sede de dúvida."

Ao comentar sobre a declaração do Instituto Butantan, que disse ter sabido da paralisação pela imprensa, Barra garantiu que a Anvisa informou a instituição. "Se souberam pela imprensa, não olharam os documentos enviados", declarou.

Ele negou também motivação política na suspensão dos testes.

"Decisão técnica", garantiu.

Além de Barra, quem também falou sobre a paralisação, Alessandra Bastos Soares, diretora da Segunda Diretoria da Anvisa reforçou a justificativa.

Ela informou ainda que foi formado um comitê técnico para analisar as vacinas contra o coronavírus, formado por especialistas, e que a decisão teria sido tomada pelos técnicos.

"Quando a informação não nos dá segurança para prosseguir, isso é inclusive previsto em protocolos internacionais, então, não há surpresa para quem quer que trabalhe nesse metiê, que quando ocorra um evento adverso grave, aconteça a suspensão do estudo clínico. E foi essa a decisão tomada pelo nosso comitê", justificou.

"Pergunto aos que estão em casa: o que fariam? Porque não houve nenhum relatório detalhado sobre o efeito adverso grave ocorrido com a vacina SinoVac. Houve uma notificação em um formulário padrão, que é veiculado nas outras autoridades do mundo", afirmou Alessandra.

"Continuarem a trabalhar incansavelmente para todas aquelas empresas que estão dispostas a trazer ferramentas para o combate a essa doença, mas resguardado principalmente o cidadão brasileiro e o cidadão do mundo."

“Ao se tratar de uma doença nova, que nos surpreende a cada dia, não há a menor possibilidade de dúvida", finalizou.