Anvisa aprova uso emergencial de medicamento contra Covid-19 usado por Trump

O Globo
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BRASÍLIA- A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou temporariamente o uso emergencial do casirivimabe + imdevimabe (Regn-CoV2) contra Covid-19. A combinação fez parte de um tratamento experimental utilizado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com a decisão tomada pela agência nesta terça-feira, por unanimidade, esse passa a ser o segundo medicamento aprovado na Anvisa contra Covid-19. Em março, o órgão aprovou o uso do remdesivir.

Até o momento, não há registro aprovado do medicamento, que é produzido pela Roche, em outras agências regulatórias do mundo. A relatora do tema na agência, Meiruze Freitas, argumenta, no entanto, que foram analisadas cerca de 6 mil páginas de dados sobre o medicamento.

A conclusão, segundo ela, foi de que os benefícios superam os riscos. O estudo analisou 799 pacientes que não utilizaram tratamentos contra Covid-19 com outros métodos, não foram vacinados e não tinham sido hospitalizados devido à doença.

— Uma única dose de 1200 mg de REGN-COV2 (600 mg de cada mAb) reduziu o risco de hospitalização relacionada à Covid-19, morte por todas as causas e reduziu o tempo para resolução dos sintomas de Covid-19 em pacientes ambulatoriais com COVID-19 sintomáticos e um ou mais fatores de riscos para doença grave; os efeitos foram semelhantes aos do grupo de dose de 2.400 mg— descreveu Freitas.

Em relação à segurança, a relatora descreveu que nenhuma das mortes registradas ao longo do estudo tiveram relação com o medicamento. Em seu voto, Freitas destacou que a Anvisa não permite o uso do medicamento para prevenir Covid-19 e que os pacientes que fizerem uso do medicamento devem esperar 90 dias para receber a vacina contra a doença.

— Espero que essa autorização possa ajudar a aliviar a carga em nosso sistema de saúde. A agência deve usar de todas as vias possíveis para fazer com que novos tratamentos estejam disponíveis para os pacientes o mais rápido possível, enquanto continua a estudar a segurança e eficácia desses tratamentos para que seja permitido o registro sanitário — afirmou a relatora.

O diretor-presidente da Agência, Antônio Barra, afirmou que a medida pode ajudar a reduzir a taxa de ocupação de leitos nos hospitais.

— Estamos fazendo hoje mais uma entrega, uma entrega importante, de ação objetiva de tramento de pacientes que estão numa janela terapêutica prévia a um estágio mais grave— disse.