Anvisa cobra transparência de dados sobre CoronaVac e diz que decisão da suspensão de testes foi 'técnica'

Paula Ferreira, Renata Mariz e Victor Farias
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Divulgação
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BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigiância Sanitária (Anvisa) afirmou nesta terça-feira que a decisão de interromper os testes clínicos da vacina contra a Covid-19 CoronaVac foi tomada tecnicamente, por considerar que as informações fornecidas à Anvisa foram "insuficientes e incompletas".

Na noite de ontem, a Anvisa informou que, devido a um evento adverso grave, os testes com o imunizante produzido pela empresa chinesa Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantan, seriam interrompidos no país.

Mais cedo, o diretor do Butantan, Dimas Covas, disse que a decisão de interromper os testes clínicos causou indignação. O Butantan diz que comunicou a Anvisa sobre efeito adverso — o voluntário teria morrido, segundo informações não oficiais — no dia 6 de outubro. No entanto, a intercorrência teria ocorrido no fim de outubro, uma semana antes. Segundo autoridades de saúde, a data da ocorrência do efeito adverso foi quase um mês após a vacinação.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou nesta terça que a agência foi notificada do evento ontem. Segundo ele, a Gerência-Geral de Medicamentos analisou as informações repassadas e decidiu interromper temporariamente os testes, por questões técnicas.

— Digo isso para pontuar que a decisão é tecnica, ela nao depende de aval nem da Dra. Alessandra e nem meu. É uma decisão técnica — afirmou.

Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro ironizou a decisão da Anvisa. Ele frisou que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), "queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la", ressaltou que é contra a obrigatoriedade da vacinação e disse que é "mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

Em resposta à declaração do presidente, o PSDB, partido do qual Doria faz parte, afirmou em rede social que "a atitude do presidente é mais uma prova de que coloca suas pretensões políticas acima de todos e realmente não se importa com a vida dos brasileiros. Cada vez mais ele parece estar do lado do vírus".

O presidente vem travando nas últimas semanas uma disputa política com João Doria em relação à vacina. Inicialmente, após o governador afirmar que a imunização seria obrigatória em São Paulo, Bolsonaro disse que essa medida só poderia ser tomada com a anuência do governo federal o que, segundo ele, não vai ocorrer.

Depois, após o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciar a assinatura de um protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da vacina da Sinovac, Bolsonaro o desautorizou publicamente e disse que o Brasil não iria comprar a "vacina chinesa de João Doria".