Anvisa começa na semana que vem inspeção de fábricas da Sputnik V na Rússia

Renata Mariz
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BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marcou para a semana que vem o início da inspeção em duas fábricas que produzem a vacina Sputnik V na Rússia. O objetivo é certificar os laboratórios por boas práticas de fabricação, levantando dados que ainda faltam para avaliar o uso emergencial do imunizante no Brasil e também para eventualmente aprovar um processo de importação excepcional.

O pedido de uso emergencial foi feito na Anvisa, mas há documentos pendentes que os representantes da vacina no país ainda não entregaram. As pressões em torno da liberação da Sputnik V se intensificaram nos últimos dias. O próprio Ministério da Saúde já fechou contrato de compra, que, segundo cronograma, deve começar a ser executado com a entrega de 400 mil doses em abril, chegando a 10 milhões nos próximos meses. Governadores também negociaram aquisições de doses com o Fundo Soberano Russo, representante do laboratório.

Na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que conversou por telefone com o presidente russo Vladimir Putin sobre a vacina Sputnik V. Na ocasião, o presidente da Anvisa, Antonio Barra, já tinha dito que enviaria equipes para avaliar as condições sanitárias de fábricas na Rússia.

A inspeção vai ocorrer em duas fábricas. A primeira deve acontecer entre 15 e 21 de abril com três servidores da Anvisa, que visitarão o local responsável pela produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima usada no imunizante, e da vacina finalizada. A segunda inspeção está prevista para 19 a 23 de abril, na empresa responsável pelas etapas de envase e embalagem, com outros dois servidores.

As equipes verificam os "processos de trabalho, as estruturas físicas das áreas de produção, armazenamento e laboratórios de controle de qualidade, além da documentação do sistema de garantia de qualidade da empresa", explica a Anvisa.

Mais uma rodada de reuniões foi realizada nesta sexta-feira com representantes da vacina russa, o laboratório União Química e o Fundo Russo. "Durante a reunião, a Agência alinhou os detalhes da ida dos servidores da Anvisa à Rússia e das atividades que serão feitas durante a inspeção nas fábricas", diz a Anvisa em nota.