Anvisa forma maioria para liberar Coronavac para crianças de 3 a 5 anos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) formou maioria para aprovar nesta quarta-feira (13) o uso emergencial da vacina Coronavac em crianças de 3 a 5 anos.

O pedido de ampliação da faixa etária na bula do imunizante estava em análise desde 11 de março, quando o Instituto Butantan fez uma nova solicitação à agência reguladora. Antes de dar seu aval, a Anvisa pediu ao laboratório a submissão de dados complementares.

Os técnicos continuaram trabalhando no processo, mas a contagem do prazo de sete dias úteis que a agência teria para avaliar o caso foi suspensa.

Desde então, diversas reuniões entre a Anvisa, o Butantan e entidades médicas foram feitas. Também foram consultados os pesquisadores ligados ao projeto Curumim sobre um estudo que testa a eficácia e a segurança da Coronavac em crianças e adolescentes. A agência considerou ainda outras pesquisas para subsidiar sua decisão.

Ao longo dos últimos meses, a Anvisa enfrentou pressão de grupos de pais, que se queixavam da espera pelo anúncio da decisão. No último mês, os hospitais tiveram aumento de internações de crianças menores de cinco anos por Covid-19. O Brasil tem registrado uma média de duas mortes diárias pela doença entre crianças mais novas.

Uma análise do Observa Infância, projeto ligado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), mostrou que houve 1.439 mortes nesse grupo em 2020 e 2021, sendo que 48% eram de bebês de 29 dias a 1 ano incompleto. Isso significa uma média de 1,9 por dia.

Até 11 de junho deste ano, foram pelo menos mais 291 mortes abaixo dos cinco anos de idade, uma média de 1,8 por dia.

A aprovação da Coronavac para crianças a partir de três anos veio apenas após o terceiro pedido feito pelo Butantan.

Em 20 de janeiro deste ano, a Anvisa liberou o imunizante para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, mas vetou o uso na faixa etária de três a cinco. A agência entendeu que não existiam dados suficientes para autorizar a vacina Coronavac para os mais novos.

A primeira solicitação, apresentada em julho do ano passado, foi avaliada e posteriormente negada pela Anvisa devido à limitação de dados dos estudos apresentados. O imunizante fabricado pelo Instituto Butantan está liberado para uso emergencial no Brasil desde 17 de janeiro de 2021 para pessoas a partir de 18 anos.

A vacinação de crianças e adolescentes é um tema sensível no governo Jair Bolsonaro (PL), que chegou a distorcer dados e desestimular a imunização infantil. O presidente até mesmo ameaçou expor nomes dos servidores da Anvisa, quando o uso de vacinas da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos foi aprovada em 16 de dezembro do ano passado.

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