Anvisa julga nesta terça resolução para limitar uso uso de gorduras trans industriais em alimentos

BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) julga nesta terça uma resolução que trata do uso de gorduras trans industriais em alimentos. O assunto foi submetido à consulta pública propondo adoção gradual de restrição aos chamados ácidos graxos trans industriais (AGTIs) em produtos alimentícios.

Durante a fase de consulta pública, o texto proposto pela Anvisa previa adotar limite de 2% de AGTI sobre o teor total de gorduras nos alimentos. Essa restrição também seria válida para os serviços de alimentação, mas haveria prazo de um ano e seis meses para entrar em vigor. Os parâmetros da restrição serão definidos em julgamento nesta terça pela Anvisa.

A proposta de redução dos níveis de gorduras trans em alimentos foi baseada em estudos científicos que demonstram que os ácidos graxos trans podem contribuir para o desenvolvimento de várias doenças. De acordo com a Anvisa, estima-se que, em 2010, o consumo excessivo de gorduras trans tenha sido responsável por 18.576 mortes por doenças coronarianas no Brasil. Esse número representou 11,5% do total de óbitos por essa causa.

Presente em alimentos destinados a crianças

As gorduras trans estão presentes em alimentos como margarinas, cremes vegetais, produtos de panificação e confeitaria, salgadinhos, sorvetes, chocolates, biscoitos, massas instantâneas e em grande parte dos produtos ultraprocessados.

Existem dois tipos de gorduras trans que podem ser encontradas nos produtos alimentícios: a natural, presente em alimentos derivados de animais ruminantes, como a vaca; e a industrial, feita nas fábricas de alimentos.

— A industrial é a principal fonte desta gordura maléfica na nossa dieta. Ela é produzida por uma série de processos tecnológicos, sendo o principal deles o de hidrogenação parcial de óleos vegetais. Neste processo, o óleo líquido é hidrogenado e transformado em sólido, se transformando em gordura vegetal. Isto é muito usado nas indústrias de alimentos para aumentar a validade dos produtos, melhorar o sabor e a textura, conferir crocância aos alimentos, tudo isso com um baixo custo — diz Luiza Torquarto, assessora técnica do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN).

Por ocasião do lançamento da consulta pública da Anvisa, a Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) emitiram nota em conjunto, alertando para o consumo crescente de alimentos ricos em gorduras trans por parte do público infanto-juvenil: “Esse tipo de gordura não é essencial para o organismo, não oferece nenhum benefício à saúde e é totalmente substituível”.