Anvisa libera importação de vacina e medicamento contra varíola dos macacos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou a importação de uma vacina contra a varíola dos macacos e do medicamento Tecovirimat, antiviral usado no tratamento da doença. A aprovação ocorreu nesta quinta-feira (25) em decisão unânime da diretoria colegiada.

Nos dois casos, a dispensa temporária de registro tem prazo de seis meses, podendo ser revogada, e vale apenas para o Ministério da Saúde —o que, na prática, impede que empresas privadas importem e comercializem os produtos.

A autorização se aplica à vacina da empresa Bavarian Nordic A/S, fabricada na Dinamarca e na Alemanha. Apesar de ser o mesmo produto, o imunizante é chamado de Jynneos nos Estados Unidos e Imvanex na Europa.

O Ministério da Saúde havia pedido a liberação da vacina à Anvisa na terça-feira (23). Na semana passada, a agência aprovou a norma que prevê a dispensa de registro para importação de medicamentos e vacinas destinados à prevenção ou ao tratamento da varíola dos macacos.

O governo federal comprou 50 mil doses junto à Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) para a vacinação de grupos específicos, como profissionais de saúde que lidam diretamente com o vírus em laboratórios. A expectativa é de que 20 mil doses cheguem ao país em setembro e o restante em outubro.

Segundo a definição da Anvisa, a vacina da Bavarian Nordic deverá ser aplicada apenas em adultos com 18 anos ou mais. O prazo de validade é de 60 meses, quando conservada em condições adequadas.

Já o antiviral Tecovirimat poderá ser usado com concentração de 200 mg no tratamento de adultos e crianças que pesem no mínimo 13 kg. O medicamento é de uso oral.

O Brasil vai receber em um primeiro momento uma doação pequena da Opas, para apenas 50 pessoas. No começo do mês, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o antiviral será destinado aos pacientes mais graves. "Há pacientes imunossuprimidos, jovens, com lesões em mais de 80% do corpo", disse na ocasião.

De acordo com o balanço divulgado pelo ministério nesta quinta, o Brasil tem 4.216 casos confirmados de varíola dos macacos e investiga outros 4.858. Na quarta (24), a pasta anunciou o primeiro caso em animal doméstico no país, em Juiz de Fora (MG). Trata-se de um filhote de cachorro de cinco meses.

No mundo, mais de 41 mil casos e 12 mortes pela foram relatados em 96 países, com a maioria dos casos nos Estados Unidos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A entidade declarou o surto uma emergência de saúde global em julho. O governo brasileiro, por enquanto, diz não ver requisitos para classificar a doença como emergência nacional.

O número de casos registrados globalmente diminuiu 21% na semana encerrada em 21 de agosto, após uma tendência de um mês de aumento de infecções, de acordo com o último relatório epidemiológico da OMS.

"Há sinais de que o surto está diminuindo na Europa, onde uma combinação de medidas eficazes de saúde pública, mudança de comportamento e vacinação está ajudando a prevenir a transmissão", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva.

A OMS disse que as infecções nas Américas mostraram "um aumento contínuo e acentuado" na semana anterior, e a região representou cerca de 60% dos casos no último mês.

"Na América Latina em particular, a conscientização insuficiente e falta de medidas de saúde pública estão se somando com uma falta de acesso às vacinas para combater as chamas do surto", disse Tedros.

Na quarta (24), o laboratório Bavarian Nordic anunciou um acordo com a OMS para facilitar a distribuição do imunizante na região. A medida busca "facilitar o acesso equitativo à vacina da empresa contra a varíola dos macacos nos países da América Latina e do Caribe", explicou a empresa em comunicado.

Com a baixa oferta de vacinas, muitos países, entre os quais os Estados Unidos, estão tentando fazer com que seus estoques sejam aproveitados ao máximo com a aplicação de doses menores.

A varíola dos macacos é uma doença causada por vírus e disseminada principalmente ao tocar as lesões na pele que os pacientes apresentam. Outra forma de infecção é por gotículas respiratórias, como tosses e espirros. Nesse caso, é necessário contato muito próximo e prolongado com a pessoa infectada.

Os sintomas da doença incluem início súbito de lesão ou ferida (uma ou mais) em qualquer parte do corpo, dor de cabeça, febre ou calafrio, dores musculares, cansaço, caroços no pescoço, axila ou virilha. A orientação em caso de suspeita é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima para orientação e diagnóstico.