Anvisa libera uso emergencial de medicamentos com anticorpos para Covid-19

Lisandra Paraguassu
·2 minuto de leitura
Medicamentos, casirivimabe e imdevimabe, do laboratório Roche, não serão vendidos em farmácia - Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann
Medicamentos, casirivimabe e imdevimabe, do laboratório Roche, não serão vendidos em farmácia - Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann
  • Órgão autorizou uso emergencial de dois remédios desenvolvidos a partir de anticorpos usados contra Covid-19

  • Fármacos não serão vendidos em farmácias e só poderão ser aplicados em hospital

  • Esse é o segundo medicamento do tipo autorizado pela Anvisa; Primeiro foi remdesivir

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta terça-feira o uso emergencial de dois medicamentos feitos com anticorpos para uso contra a Covid-19 em caso de pessoas que estejam com sintomas leves ou moderados, mas que tenham risco de progredir para formas graves da doença. 

Os dois medicamentos, casirivimabe e imdevimabe, do laboratório Roche, não serão vendidos em farmácia e só poderão ser aplicados em hospital, em pacientes acima de 10 anos e 40 quilos de peso.

Leia também

De acordo com a Anvisa, os medicamentos são feitos a base de anticorpos monoclonais. Ou seja, proteínas feitas em laboratórios e que imitam a capacidade do sistema imunológico de combater elementos nocivos à saúde — nesse caso, contra a proteína central do coronavírus causador da Covid-19

Quem deve receber o coquetel?

No início de março, foi liberado também o uso do antiviral remdesivir, esse para uso em pacientes com pneumonia causada pela Covid-19, não intubados, mas em tratamento hospitalar - Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann
No início de março, foi liberado também o uso do antiviral remdesivir, esse para uso em pacientes com pneumonia causada pela Covid-19, não intubados, mas em tratamento hospitalar - Foto: REUTERS/Arnd Wiegmann

Os dois medicamentos, de uso combinado, não podem ser usados por pacientes em estado grave e com uso de ventilação — nesse caso, de acordo com a agência, podem inclusive piorar o quadro. Devem, no entanto, ser dados a pacientes com quadros leves e moderados, mas que têm comorbidades que possam levar a uma piora do quatro. 

Entre os riscos destacados pela Anvisa, estão idade avançada, obesidade, doença cardiovascular, incluindo hipertensão, doença pulmonar crônica, diabetes, doença renal crônica, doença hepática crônica e imunossuprimidos. 

O gerente-geral de medicamentos da Agência, Gustavo Mendes, afirmou, durante a reunião extraordinária que liberou o uso do medicamento, que seu uso "reduziu significativamente o número de hospitalização e morte em paciente laboratorial sintomático com um ou mais fator de risco para doença grave." 

Por enquanto, no entanto, o medicamento recebeu apenas a autorização de uso emergencial, uma vez que as pesquisas continuam sendo feitas. A farmacêutica responsável já havia tido a mesma autorização da Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA, a FDA. 

Esse é o segundo medicamento para uso contra a Covid-19 aprovado pela Anvisa. No início de março, foi liberado também o uso do antiviral remdesivir, esse para uso em pacientes com pneumonia causada pela Covid-19, não intubados, mas em tratamento hospitalar.