Anvisa proíbe venda de pomada de cabelo após casos de queimaduras nos olhos

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu nesta sexta-feira (6) a comercialização, fabricação, uso, propaganda e publicidade de todos os lotes dos produtos da fabricante da pomada modeladora capilar Cassu Braids. Além disso, os estabelecimentos que tenham o produto para uso em seus clientes também devem suspender sua utilização imediatamente.

A medida foi tomada após a agência reguladora ter sido comunicada pelo Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro de casos de eventos adversos relacionados ao uso da pomada.

O produto, que é utilizado para fazer penteados, como tranças e baby hair, seria a causa de queimaduras nos olhos de pacientes atendidos na capital fluminense.

Outro motivo, de acordo com a Anvisa, é que a fabricante não está devidamente regularizada para a fabricação desses cosméticos. "A empresa Microfarma Indústria e Comércio LTDA, está com CNPJ inapto junto à Receita Federal e com a licença sanitária cancelada desde 2018", declarou a agência.

A reportagem não conseguiu contato com a fabricante.

O órgão de vigilância sanitária do Rio já havia recomendado nesta quinta-feira (5), a suspensão imediata do uso da pomada modeladora capilar Cassu Braids. Além disso, a Secretaria de Saúde do município proibiu a venda do item.

A orientação do órgão de vigilância inclui a suspensão de outros produtos que, no Rio, são distribuídos pelo Instituto Cassulinha Cabelos Comércio e Serviço. A distribuidora se manifestou nas redes sociais, afirmando que não sabia dos casos relatados. "Estamos buscando esclarecimentos, pois isso não é algo que faz parte da nossa veracidade", diz trecho da publicação.

A recomendação de suspender o uso do produto no Rio foi feita após 195 pessoas sofrerem queimaduras na córnea depois de ter contato com a pomada.

Os atendimentos ocorreram no período entre 26 de dezembro e 2 de janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Somente no dia 26 de dezembro, a procura por atendimento mais que dobrou no Hospital Municipal Souza Aguiar, que tem emergência oftalmológica. De 60 atendimentos em dias normais, a médica Anna Beatriz Simões disse ter atendido mais de 130 pessoas em 12 horas de plantão.

Ao longo da semana, ela afirmou ter recebido pelo menos outros 20 pacientes com os mesmos sintomas. A maioria era mulheres e crianças.

Os relatos são de dores, ardência, embaçamento e dificuldade para abrir os olhos.

Ainda segundo a médica, a recomendação, em caso de contato com o produto, é lavar em água corrente e procurar atendimento médico.

Todas as pomadas já estão proibidas em estabelecimentos no Rio. As lojas devem retirar as pomadas da exposição e venda, inclusive online, e os salões de beleza, interromper o uso da marca. Em caso de descumprimento, os produtos podem ser apreendidos e os estabelecimentos multados.

Nesta sexta-feira (6), a vigilância sanitária do município divulgou um novo comunicado reforçando a importância de comercializar e usar apenas produtos registrados na Anvisa, respeitando as instruções e o prazo de validade.

Em 13 de dezembro, a agência reguladora chegou a publicar um alerta sobre a ocorrência de cegueira temporária, entre outros efeitos indesejáveis, supostamente ocasionada por produtos para trançar e modelar cabelos comercializados no país.

Pelo site da Anvisa, é possível consultar quais produtos são regularizados e também os proibidos. Nos sistemas de informação do órgão constam, até o momento, oito notificações de efeitos indesejáveis supostamente associados a produtos para trançar e modelar cabelos.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio orientou que as suspeitas de irregularidades de empresas sejam denunciadas pelo 1746 ou pelo portal https://1746.rio.