Anvisa recebe pedido da Pfizer para vacinar crianças de 5 a 11 anos

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu nesta sexta-feira (12) o pedido da Pfizer para permitir o uso da vacina contra a Covid em crianças de 5 a 11 anos.

Em nota, a agência informou que irá avaliar o pedido em até 30 dias. "A análise técnica feita pela Anvisa será feita de forma rigorosa e com toda a cautela necessária", disse o órgão.

Como a vacina da Pfizer já é registrada pela Anvisa, a inclusão da indicação de uso para este grupo não precisa ser votada pela diretoria colegiada. A mudança, se for aprovada, é apenas publicada no Diário Oficial da União.

O pedido da Pfizer é para uso de dosagem menor do imunizante nas crianças. "Dessa forma, a proposta é ter frascos diferentes, com dosagem específica para cada grupo (maiores ou menores de 12 anos). Segundo a empresa, os frascos serão diferenciados pela cor", disse a Anvisa.

Ainda não há autorização no Brasil do uso de vacinas para Covid-19 em crianças. Apenas o modelo da Pfizer pode ser aplicado no grupo de 12 a 18 anos.

Os Estados Unidos autorizaram no último dia 2 o uso do imunizante da Pfizer em pessoas com idade entre 5 e 11 anos.

O Ministério da Saúde planeja vacinar as crianças em 2022, caso a Anvisa aprove o uso do fármaco neste grupo. A previsão é de que 70 milhões de doses seriam aplicadas nos mais jovens.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) distorce dados sobre a eficácia e a segurança das vacinas e faz campanha contrária a vacinação dos mais jovens. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a propor impedir a imunização de adolescentes, mas recuou após forte repercussão negativa.

Os diretores da Anvisa receberam ameaças de morte de pessoas contrárias à vacinação das crianças. A agência pediu proteção policial a dirigentes e servidores.

O Instituto Butantan também afirma que vai entrar com um novo pedido na Anvisa para a aprovação do uso da Coronavac em crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos. Em agosto a agência rejeitou o primeiro pedido do laboratório paulista.

A vacina da Pfizer contra a Covid tem uma eficácia maior que 90% na prevenção das formas sintomáticas da doença em crianças de entre 5 e 11 anos, segundo o laboratório.

Este modelo de imunizante ganhou registro definitivo da Anvisa em 23 de fevereiro. Em março, a agência sanitária concedeu o mesmo tipo de aval para a vacina da AstraZeneca, distribuída no Brasil pela Fiocruz.

Já os imunizantes da Janssen e a Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac e entregue pelo Butantan, têm autorização de uso emergencial.

O governo Bolsonaro resistiu em comprar a vacina da Pfizer. Como mostrou a Folha, documentos entregues à CPI da Covid mostram que o Ministério da Economia e o Planalto travaram mudanças na legislação, no fim de 2020, que poderiam ter acelerado a negociação com a empresa.

Bolsonaro afirmava que era abusivo a farmacêutica exigir que o governo assumisse responsabilidades por eventuais efeitos adversos do uso do imunizante. "Se você virar um jacaré, é problema seu", disse o presidente em dezembro passado.

A vacina, agora, é a mais distribuída no Brasil, com 132,8 milhões de doses. Em seguida, o imunizante da AstraZeneca (118,1 milhões), a Coronavac (100,9 milhões) e a dose da Janssen (4,8 milhões).

Apesar das falas de Bolsonaro, o Ministério da Saúde aposta nesta vacina para 2022. A ideia é garantir de 100 milhões a 150 milhões de doses para a campanha do próximo ano.

A Anvisa também tem reagido às declarações negacionistas de Bolsonaro sobre as vacinas. No fim de outubro, o presidente da agência, Antonio Barra Torres, disse que os produtos "não induzem a nenhuma doença". Ele fazia referência a falsa associação feita pelo mandatário entre o imunizante contra a Covid-19 e a Aids.

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