Ao menos 22 combatentes pró-regime morrem em ataques jihadistas na Síria

Homem observa estragos provocados por foguete em Aleppo

Vinte e dois combatentes leais ao regime sírio morreram e dezenas ficaram feridos neste sábado em ataques conduzidos por dois grupos jihadistas na província de Aleppo, no norte da Síria, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Os grupos "Hayat Tahrir al Sham (HTS, ex-facção da Al-Qaeda na Síria) e Hurras al Din atacaram antes do amanhecer as forças do regime no sul e sudoeste" da província de Aleppo, informou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Vinte e dois combatentes pró-regime foram mortos, assim como oito jihadistas, segundo o OSDH, que possui uma vasta rede de informantes no país.

Um balanço anterior relatou 17 membros das forças pró-regime mortos.

Os bombardeios russos continuam neste sábado, segundo a mesma fonte.

A Rússia intervém militarmente na Síria desde 2015 em apoio ao presidente Bashar al-Assad.

Esses ataques jihadistas ocorrem depois que 15 civis foram mortos entre sexta-feira e sábado nos bombardeios da aviação russa nas províncias vizinhas de Hama (oeste) e Idlib (noroeste), de acordo com o OSDH.

Em Idlib, reduto jihadista dominado pelo HTS, 10 civis, incluindo duas crianças, morreram na sexta-feira e outros cinco civis foram mortos na província de Hama, de acordo com a mesma fonte.

Desde setembro de 2018, a província de Idlib é regida por um acordo negociado entre a Rússia e a Turquia, que patrocina alguns grupos rebeldes. Este acordo previu o estabelecimento de uma "zona desmilitarizada" para separar os setores jihadistas e insurgentes das zonas adjacentes do governo.

Este acordo permitiu que a província evitasse uma grande ofensiva do exército sírio, mas o regime continuou a realizar ataques aéreos, que se tornaram mais frequentes desde fevereiro.

Uma nova rodada de discussões de paz sobre o conflito sírio entre a Rússia, o Irã, outro aliado de Damasco, e a Turquia, terminou na sexta-feira no Cazaquistão, sem avanços notáveis.

Os três países expressaram em uma declaração conjunta sua preocupação com a crescente influência do HTS na região de Idlib.

Eles enfatizaram sua "determinação em continuar a cooperação para finalmente eliminar" o HTS e o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A ONU expressou sua preocupação esta semana sobre o aumento das tensões em Idlib, onde muitos sírios estão vivendo, deslocados pelos combates em outras regiões do país.

A guerra na Síria eclodiu em março de 2011, depois que o regime reprimiu violentamente manifestações pró-democracia. O conflito se tornou mais complexo com o envolvimento de grupos jihadistas e forças e movimentos estrangeiros e causou até agora 370.000 mortes.