Ao comentar ataque no Capitólio, Bolsonaro anteviu atos em Brasília : 'vamos ter problema pior'

O ex-presidente Jair Bolsonaro anteviu, ainda em 2021, os atos de terrorismo promovidos por seus apoiadores neste domingo. Ao comentar com correligionários na porta do Palácio da Alvorada a invasão no Capitólio, sede do Legislativo americano, por eleitores do ex-presidente americano Donald Trump, Bolsonaro afirmou que teríamos "problema pior" no Brasil.

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— Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos — disse o presidente, na porta do Palácio da Alvorada.

A declaração foi dada no dia 7 de janeiro de 2021, um dia após os atentados dos "trumpistas" ao Capitólio. Na mesma conversa, Bolsonaro já havia dito que a raiz dos problemas atuais nos Estados Unidos foi "falta de confiança" no voto. Ele repetiu alegações de irregularidades na eleição, sem apontar comprovações. Alegações semelhantes feitas pela campanha de Trump foram rejeitadas em dezenas de ações judiciais.

— O pessoal tem que analisar o que aconteceu nas eleições americanas agora. Basicamente, qual foi o problema, a causa dessa crise toda? Falta de confiança no voto. Lá o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente que votou três, quatros vezes. Mortos votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.

À época, ao contrário de diversas lideranças mundiais, Bolsonaro não repudoiu a invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump, ocorrida em Washington, que interrompeu por horas a sessão que confirmou o resultado da eleição. O ex-presidente brasileiro foi um dos últimos líderes mundiais de expressão a reconhecer a vitória de Biden nas eleições. Bolsonaro só cumprimentou o presidente eleito 38 dias depois de resultado ter sido projetado a partir da apuração nos estados

Bolsonaro demorou seis horas para comentar os atos antidemocráticos promovidos por apoiadores de Bolsonaro neste domingo em Brasília. Em publicação nas redes sociais, ele negou ter qualquer responsabilidade sobre as invasões ao Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente ainda associou o atos de vandalismo à esquerda, disse que depredações "fogem à regra" e criticou o presidente Lula.

"Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, depredações e invasões de prédios públicos como ocorridos no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra", escreveu.

Na publicação, o ex-presidente, que está em Orlando, nos Estados Unidos, disse que ao longo do seu mandato sempre atuou "dentro das quatro linhas da constituição, respeitando e defendendo as leis, a democracia, a transparência e a nossa sagrada liberdade."